
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro entregou à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) os anexos de sua proposta de delação premiada no âmbito das investigações sobre o caso Master. O material foi enviado em um pen drive e agora será analisado pelas autoridades antes de eventual homologação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo investigadores, o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, foi informado sobre a entrega na noite de terça-feira (5). A expectativa é que a análise da PF e da PGR leve entre um e dois meses.
De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, a proposta de delação é dividida em anexos organizados por personagens e traz detalhes sobre encontros, reuniões, festas e viagens envolvendo políticos de diferentes espectros ideológicos. Os relatos incluem datas, horários e cidades dos eventos mencionados.
Interlocutores ouvidos pela emissora afirmam que há citações a políticos de direita, esquerda e principalmente de centro. Segundo as fontes, atuais pré-candidatos à Presidência como Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado não aparecem no material apresentado. Já um ex-candidato à Presidência atualmente inelegível estaria citado em um dos anexos.
Vorcaro está preso preventivamente desde março, na Superintendência da PF em Brasília. Ele foi transferido do presídio federal para negociar o acordo de colaboração com visitas frequentes da defesa.
Outro ponto sensível da delação envolve um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Segundo fontes ligadas às negociações, Vorcaro afirmou que contratou o escritório buscando proximidade institucional com o magistrado, mas negou qualquer troca de favores.
O contrato previa prestação de serviços jurídicos no valor de R$ 129 milhões, pagos ao longo de três anos em parcelas mensais de R$ 3,6 milhões. O acordo vigorou entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, quando foi encerrado após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central e a prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero.
Em nota, o escritório de Viviane Barci confirmou a existência do contrato e informou que realizou 94 reuniões de trabalho com representantes do banco, somando 267 horas de atuação. Também afirmou ter produzido 36 pareceres jurídicos sobre temas como compliance, direito trabalhista, contratos, proteção de dados, previdência e crédito.
Nos bastidores do STF, a avaliação é que a devolução integral dos recursos desviados será condição essencial para a homologação da delação. Segundo apuração, ministros da Corte não pretendem aceitar modelos semelhantes aos acordos da Operação Lava Jato, que permitiam devolução parcelada dos valores ao longo de vários anos.
A partir de agora, PF e PGR vão analisar se os anexos apresentados possuem valor probatório suficiente para avançar nas investigações. Caso considerem necessário, poderão pedir novos esclarecimentos e depoimentos ao ex-banqueiro antes da decisão final do STF sobre o acordo.