
Uma polêmica envolvendo o Banco de Brasília (BRB) veio à tona nesta semana após influenciadores do mercado financeiro revelarem e-mails com propostas para comentar o chamado caso Master nas redes sociais. As mensagens mencionavam um convite para almoço com o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, e solicitavam orçamento para a divulgação de informações institucionais.
O episódio ocorre em um momento sensível para o sistema financeiro, depois que o Banco Central do Brasil barrou a venda do Banco Master ao BRB e decretou a liquidação da instituição controlada por Daniel Vorcaro, no contexto de investigações sobre fraudes financeiras bilionárias.
Os e-mails, enviados por uma agência de marketing, pediam orçamento para uma ação descrita como uma oportunidade de “mostrar a transparência que o BRB quer passar ao mercado” e explicar “medidas de contenção de danos e ações de recuperação”. O texto sugeria que, após o encontro, os convidados divulgassem as informações recebidas de forma “objetiva” aos seguidores.
Entre os profissionais que tornaram públicas as mensagens estão Renata Barreto e Renato Breia, ambos com forte atuação nas redes sociais falando sobre economia e investimentos.
Renato Breia questionou publicamente a iniciativa. Em vídeo publicado nas redes, afirmou não fazer sentido que um banco com instrumentos formais de comunicação ao mercado recorresse a influenciadores para “explicar” um caso sensível.
Já Renata Barreto demonstrou indignação e criticou o que classificou como tentativa de usar “publis” para transmitir uma imagem de transparência. Segundo ela, explicações sobre o caso deveriam ser feitas diretamente ao mercado, por canais institucionais, e não por meio de influenciadores.
Procurado pelo portal G1, o BRB afirmou que não autorizou a iniciativa nem solicitou contatos com influenciadores para tratar do caso Master. A instituição declarou que não participou da abordagem e não aprovou qualquer ação nesse sentido.
A agência Flap, responsável pelo envio dos e-mails, assumiu a responsabilidade. Em nota, disse que fez uma cotação preliminar, sem submeter a ideia ao banco, e que a iniciativa partiu de uma avaliação interna de viabilidade de um evento institucional.
Segundo a Flap, não houve tentativa de compra de opinião nem interferência editorial, e o objetivo seria ampliar o acesso à informação sobre a nova gestão do BRB. A agência também afirmou que nenhum funcionário do banco participou da ação.
Apesar de os e-mails não mencionarem pedidos ilegais nem ataques diretos a autoridades, o caso reacendeu suspeitas em meio às investigações já em curso. A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar relatos de possível atuação coordenada de influenciadores pagos para deslegitimar o Banco Central após a liquidação do Master.
A abertura do inquérito foi autorizada pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, e busca verificar se houve articulação organizada para influenciar a opinião pública e o mercado financeiro.
A revelação dos e-mails aumenta o desgaste em torno do caso Master e das instituições envolvidas. Agora, a exposição pública da abordagem a influenciadores adiciona um novo capítulo à crise, reforçando o debate sobre os limites da comunicação institucional em momentos de investigação e a relação entre mercado financeiro, redes sociais e órgãos reguladores.