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Israel reconhece 70 mil mortos palestinos na guerra em Gaza

Número admitido pelas Forças Armadas israelenses é semelhante ao divulgado pelo Ministério da Saúde de Gaza e representa cerca de 3,5% da população do território

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
30/01/2026 às 16h14
Israel reconhece 70 mil mortos palestinos na guerra em Gaza
Foto: Reprodução

Pela primeira vez desde o início da guerra, as Forças Armadas de Israel reconheceram que ao menos 70 mil palestinos morreram durante o conflito na Faixa de Gaza. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (29) e confirma números semelhantes aos divulgados pelo Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.

O dado oficial palestino aponta 71.667 mortos ao longo de quase dois anos de guerra, iniciada após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 e encerrada com o cessar-fogo firmado em outubro de 2025. Até agora, Israel questionava a confiabilidade dessas informações e não havia apresentado uma estimativa própria, exceto ao afirmar que teria matado cerca de 22 mil combatentes do Hamas no período.

Se confirmados, os números indicam que 3,5% da população de Gaza, estimada em 2 milhões de pessoas, morreu no conflito — uma das maiores proporções de mortes em guerras recentes.

Entidades internacionais, como a Organização das Nações Unidas, afirmam há meses que os dados do Ministério da Saúde de Gaza são, em geral, confiáveis, embora não façam distinção entre civis e combatentes.

Pesquisas independentes, no entanto, apresentam leituras distintas sobre a dimensão das mortes.

  • Em julho de 2025, um estudo da Universidade de Londres estimou que o número real de mortos poderia ser 65% maior do que o registrado oficialmente, chegando a cerca de 75 mil vítimas. Segundo o levantamento, 56% seriam mulheres, crianças ou idosos, além de aproximadamente 8 mil mortes indiretas, causadas por fome, falta de medicamentos ou atendimento médico.

  • Já um estudo publicado por pesquisadores da Austrália, em abril de 2025, apontou falhas graves nos dados palestinos, sugerindo que parte das mortes atribuídas a crianças envolveria, na verdade, integrantes do Hamas.

 

Israel mantém críticas aos dados

Mesmo reconhecendo o número geral de mortos, Israel afirmou que os dados do Ministério da Saúde de Gaza têm limitações, principalmente por não diferenciarem civis de combatentes. O governo israelense também nega que centenas de palestinos tenham morrido de fome, como sustenta a autoridade local.

Em agosto de 2025, a ONU alertou que cerca de 500 mil pessoas em Gaza estavam em situação catastrófica de desnutrição. As Forças Armadas israelenses afirmam que muitas mortes não ocorreram diretamente em bombardeios e estimam uma proporção de dois a três civis mortos para cada combatente.

O alto número de mulheres e crianças mortas, a destruição de hospitais, escolas e infraestrutura civil, além das restrições à entrada de ajuda humanitária, levaram organizações como a Anistia Internacional a acusar Israel de genocídio na Faixa de Gaza.

Israel e aliados, como os Estados Unidos, rejeitam essa acusação. O tema também é alvo de uma ação movida pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça, à qual o Brasil aderiu em julho de 2025. O processo segue em andamento.

 

Futuro do cessar-fogo

O cessar-fogo entre Israel e Hamas, em vigor há quase quatro meses, entra agora em uma fase decisiva. Na segunda-feira (26), o corpo do último refém mantido em Gaza foi encontrado e repatriado para Israel, encerrando simbolicamente a primeira etapa do acordo, mediado por Donald Trump.

A fase seguinte prevê:

  • reabertura da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito;

  • retomada do fluxo de pessoas, ajuda humanitária e mercadorias;

  • entrega das armas pelo Hamas e aceitação de um governo tecnocrático palestino supervisionado internacionalmente.

O Hamas, porém, resiste. Nesta quinta-feira, o líder Moussa Abu Marzouk afirmou à Al Jazeera que o grupo “nunca concordou” em se desarmar. No mesmo dia, Trump declarou que “parece que o Hamas vai se desarmar”, sinalizando divergências sobre o futuro do acordo.

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