
O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, segundo o estudo Estimativas 2026–2028, divulgado nesta quarta-feira (4) pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). O levantamento foi apresentado durante evento em alusão ao Dia Mundial do Câncer.
Entre os tipos mais comuns estão o câncer de mama, entre as mulheres, e o câncer de próstata, entre os homens. Juntos, eles representam aproximadamente um terço de todos os diagnósticos. Na sequência aparecem os cânceres de cólon e reto e de pulmão.
Quando os casos de câncer de pele não melanoma — que têm alta incidência e baixa mortalidade — são excluídos, a estimativa fica em cerca de 518 mil novos diagnósticos por ano.
Segundo o Inca, o câncer já se aproxima das doenças cardiovasculares como uma das principais causas de morte no país.
“O câncer vem ganhando cada vez mais peso no sistema de saúde e pode se tornar a principal causa de morte nos próximos anos”, afirmou Luís Felipe Martins, do Inca.
O relatório detalha que, entre as mulheres, o câncer de mama lidera em todas as regiões do país, seguido por cólon e reto ou colo do útero, dependendo da localidade. Já entre os homens, o câncer de próstata é o mais frequente em todas as regiões.
As maiores taxas de incidência estão no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, regiões com maior desenvolvimento socioeconômico. No Norte, o cenário apresenta diferenças: o câncer de estômago aparece com maior destaque entre os homens, e o câncer de fígado figura entre os mais comuns.
Para a coordenadora da área de Prevenção e Vigilância do Inca, Márcia Sarpa, o avanço do câncer colorretal é um dos principais desafios atuais. Segundo ela, o Ministério da Saúde já trabalha em novas diretrizes para prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce.
Durante o lançamento do relatório, autoridades reforçaram que o enfrentamento do câncer exige ações integradas. “O câncer é um desafio clínico, social e de equidade. Enfrentá-lo é fortalecer o Sistema Único de Saúde”, afirmou Jonas Gonseth-Garcia, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que os números reforçam a necessidade de ampliar ações de prevenção e diagnóstico precoce, com envolvimento da sociedade e dos profissionais de saúde.
Segundo o Inca, as estimativas são fundamentais para planejar políticas públicas, organizar a rede de atendimento e garantir acesso mais rápido ao tratamento, o que pode salvar milhares de vidas nos próximos anos.