
O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) entrou no centro de uma controvérsia após desembargadores descobrirem que o presidente da Corte, Froz Sobrinho, autorizou a transferência de R$ 2,8 bilhões em depósitos judiciais para o Banco de Brasília (BRB). Os recursos estavam anteriormente aplicados no Banco do Brasil.
A revelação levou a uma reunião tensa entre os magistrados, convocada pelo próprio presidente do tribunal no dia 28 de janeiro. O encontro terminou em bate-boca, após críticas diretas à forma como a decisão foi tomada, sem consulta ao colegiado.
Pressionado, Froz Sobrinho afirmou que a decisão foi exclusivamente sua e que assume integralmente os riscos da aplicação. Segundo ele, a mudança teria elevado o rendimento mensal dos depósitos judiciais de cerca de R$ 3 milhões para R$ 15 milhões, valor cinco vezes maior.
“O risco foi meu e sou eu quem vai prestar contas”, declarou.
O desembargador Paulo Sérgio Velten Pereira contestou duramente a condução do processo, afirmando que não se sentia responsável por uma medida que classificou como “gravíssima”.
“Essa decisão não foi submetida ao colegiado. Não me sinto responsável por isso”, disse, antes de abandonar a reunião.

A transferência dos recursos ocorre em meio ao histórico recente de crise do BRB, que passou a ser investigado pela Polícia Federal por operações envolvendo o Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro e liquidada pelo Banco Central do Brasil.
Nesta semana, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, viajou a São Paulo para negociar, na região da Faria Lima, a venda de ativos e carteiras de crédito adquiridas do Banco Master. A estratégia busca reduzir riscos e recompor o caixa da instituição após a compra de aproximadamente R$ 12 bilhões em créditos considerados de baixa qualidade.
Entre os ativos colocados à venda estão imóveis, terrenos, restaurantes e outros bens, que devem atrair fundos especializados em ativos problemáticos, além de bancos e gestoras interessadas apenas nas partes mais “limpas” das carteiras.
A relação entre BRB e Banco Master também é alvo de novo inquérito da Polícia Federal, que apura indícios de gestão fraudulenta e aquisição pulverizada de ações do BRB por empresários ligados ao Master e à Reag Investimentos, por meio de fundos e estruturas intermediárias. A suspeita é de que a prática tenha dificultado a identificação dos verdadeiros controladores das ações.
A crise levou ao afastamento e posterior demissão do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que comandava o banco durante as negociações com o Master.
Enquanto isso, no Maranhão, a transferência bilionária de recursos do Judiciário para o BRB segue sob questionamentos internos e externos, ampliando a pressão por esclarecimentos sobre governança, riscos e responsabilidade na gestão dos depósitos judiciais.