
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (5) que se reuniu com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mas garantiu que não haverá qualquer interferência política a favor ou contra o banco nas investigações em curso.
Em entrevista ao portal UOL, Lula disse que o encontro ocorreu a pedido, sem agenda oficial, e que reuniões com empresários fazem parte da rotina institucional do cargo. Segundo o presidente, Vorcaro foi apresentado pelo ex-ministro Guido Mantega e relatou que estaria sendo alvo de perseguição.
Durante a conversa, Lula afirmou que deixou claro que o caso seria tratado exclusivamente do ponto de vista técnico. Para isso, chamou o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, além do ministro da Casa Civil, Rui Costa.
“O que eu disse foi que não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que vai existir é uma investigação técnica do Banco Central para saber se houve irregularidades, se houve lavagem de dinheiro ou não”, afirmou o presidente.
Segundo Lula, após o encontro ele também reuniu o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para discutir o caso. Para o presidente, a investigação representa uma oportunidade inédita de responsabilizar grandes operadores financeiros envolvidos em crimes.
“É a primeira chance real de pegar os magnatas da corrupção e da lavagem de dinheiro neste país. Não importa se envolve política, partido ou banco. Quem errou vai ter que pagar”, declarou.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, após uma operação da Polícia Federal contra Daniel Vorcaro. A instituição já enfrentava risco elevado por causa de captações caras e investimentos considerados de alto risco, com juros acima do mercado.
As investigações também atingem outras instituições, como o BRB, banco do governo do Distrito Federal, que tentou comprar o Master — operação vetada pelo Banco Central. Fundos de previdência de estados e municípios, como Rio de Janeiro e Amapá, também aparecem no caso por terem aplicado recursos na instituição.
Lula classificou a relação entre o Master e o BRB como uma possível “falcatrua” que precisa ser esclarecida. “Queremos saber por que governos estaduais colocaram dinheiro de trabalhadores nesse banco e quem está envolvido nisso tudo”, afirmou.
O presidente também minimizou o fato de o escritório do ex-ministro da Justiça e ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski ter prestado consultoria ao Banco Master entre 2023 e 2025. Segundo Lula, não há irregularidade no contrato e o jurista se afastou do escritório enquanto ocupava cargo no Executivo.
“Lewandowski é um dos maiores juristas do país. Não há problema em um advogado prestar serviços a empresas. O importante é investigar tudo”, disse.
Por fim, Lula comentou que conversou com o filho Fábio Luís Lula da Silva, citado em investigações sobre desvios no INSS. Segundo o presidente, deixou claro que, caso haja envolvimento, ele terá que responder à Justiça.
“Se tiver alguma coisa errada, vai pagar o preço. Se não tiver, que se defenda”, afirmou.