
A Polícia Federal informou que exames realizados no ex-presidente Jair Bolsonaro identificaram alterações neurológicas. O laudo médico foi divulgado nesta sexta-feira (6) e se refere a avaliações feitas enquanto Bolsonaro cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, em Brasília.
Segundo a PF, o exame foi direcionado após relatos de queda recente e desequilíbrio ao caminhar. A perícia apontou hipóteses clínicas associadas ao quadro geral do paciente, incluindo possível deficiência de vitaminas do complexo B, como B12 e ácido fólico, além de efeitos relacionados ao uso contínuo de vários medicamentos.
De acordo com o documento, a chamada polifarmácia — uso simultâneo de diferentes fármacos — pode aumentar o risco de efeitos adversos como tontura, sedação, lentidão psicomotora e queda de pressão ao se levantar, fatores que estariam ligados ao risco de novas quedas.
A PF afirmou ainda que Bolsonaro recebe tratamento médico adequado na unidade prisional. O laudo cita acompanhamento clínico, controle da pressão arterial, dieta específica e realização de exames periódicos, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Após a divulgação do relatório médico, Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem em até cinco dias sobre o conteúdo do laudo. O ministro também afirmou que não há necessidade de manter sigilo sobre a documentação apresentada pela Polícia Federal.
Em avaliação médica anterior, Bolsonaro afirmou que percebeu melhora nas condições da prisão após a transferência da Superintendência da PF para a Papudinha, destacando mais espaço para circulação e ambiente considerado satisfatório em limpeza e ruídos.


A unidade tem capacidade para até 60 presos e conta com alojamentos coletivos, banheiro com chuveiro, cozinha, lavanderia e área externa para banho de sol, além de permitir o uso de televisão e ventilação mecânica, conforme regras do sistema penitenciário.