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Defensoria Pública de Goiás aciona TVs por caso em Itumbiara

Ação acusa emissoras de amplificar ataques virtuais contra mãe de crianças mortas em Itumbiara

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
24/02/2026 às 17h20
Defensoria Pública de Goiás aciona TVs por caso em Itumbiara
Foto: Reprodução

A Defensoria Pública de Goiás entrou com ação civil pública contra as emissoras TV Globo, CNN Brasil, Record TV e SBT. O órgão pede indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos à mãe das duas crianças mortas em Itumbiara e ao estado de Goiás.

Segundo a Defensoria, reportagens exibidas pelas emissoras teriam contribuído para um “linchamento virtual” contra Sarah Araújo, mãe de Miguel e Benício, mortos no último dia 12.

  • A ação afirma que a divulgação de um vídeo em que ela aparece beijando um homem teria alimentado acusações e ataques nas redes sociais.

De acordo com o processo, o vídeo teria sido encomendado pelo ex-marido de Sarah, Thales Machado, que é apontado pela investigação como autor dos disparos contra os filhos antes de tirar a própria vida. A Defensoria sustenta que Sarah estava separada na época e que a narrativa de traição não condizia com os fatos.

Pedido de retratação

A instituição solicita a exclusão das reportagens e postagens relacionadas ao episódio em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil, além da publicação de nota de retratação.

Uma tentativa de decisão liminar para retirar imediatamente o conteúdo do ar foi negada pelo Tribunal de Justiça de Goiás, que entendeu que o caso exige análise mais aprofundada. O processo seguirá o trâmite regular.

Outro lado

Procuradas, Record e SBT não responderam até o momento. A CNN Brasil informou que ainda não foi notificada oficialmente e afirmou que não publicou o vídeo citado na ação. A Globo declarou que também não recebeu comunicação formal sobre o processo.

Relembre o caso

Miguel, de 12 anos, e Benício, de 8, foram baleados dentro de casa em Itumbiara. O caso é tratado como duplo homicídio seguido de suicídio. A investigação é conduzida pelo Grupo de Investigação de Homicídios da Polícia Civil de Goiás, que afirma não haver indícios de participação de terceiros.

A mãe das crianças, que é filha do prefeito Dione Araújo, relatou ter sido alvo de ofensas durante o enterro dos filhos e precisou de escolta policial.

A ação judicial reacende o debate sobre responsabilidade da imprensa, limites da exposição pública e impactos das redes sociais em situações de grande comoção.

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