
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo IBGE, (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É o quinto ano seguido de expansão, mas a menor taxa desde a retomada pós-pandemia. O resultado veio em linha com as projeções do mercado e reflete o impacto dos juros elevados para conter a inflação.
No quarto trimestre, a economia praticamente ficou parada, com avanço de apenas 0,1% em relação aos três meses anteriores. O desempenho confirma a desaceleração gradual observada ao longo do ano.
O impulso veio principalmente da agropecuária, que avançou 11,7% no acumulado do ano, puxada por uma safra recorde de grãos. O setor respondeu por quase um terço do volume adicionado ao PIB.
A indústria cresceu 1,4%, com destaque para a extração de petróleo e gás. Já a indústria de transformação registrou leve queda, refletindo maior sensibilidade aos juros altos. O setor de serviços, maior da economia, avançou 1,8%.
Com a taxa Selic em 15% ao ano desde junho, o crédito ficou mais caro, afetando o consumo das famílias e os investimentos. O consumo doméstico cresceu 1,3%, bem abaixo dos 5,1% registrados em 2024. Já os investimentos avançaram 2,9%, também em ritmo menor.
As exportações cresceram 6,2%, beneficiadas pelo desempenho do agro e da indústria extrativa. As importações subiram 4,5%.
As projeções indicam novo crescimento no próximo ano, mas em ritmo ainda mais moderado. O boletim Focus aponta expansão de 1,82% em 2026. A expectativa é que o Banco Central inicie cortes na Selic, mas os efeitos demoram a chegar à economia real.
O cenário externo também adiciona incertezas. A guerra no Oriente Médio pressiona o preço do petróleo, o que pode impactar a inflação no Brasil e influenciar o ritmo de queda dos juros.
Apesar da desaceleração, o PIB está no maior patamar da série histórica iniciada em 1996. O desafio agora é manter o crescimento com inflação sob controle e crédito mais acessível ao consumidor.