
As investigações envolvendo o Banco Master avançam no Supremo Tribunal Federal e devem seguir pelos próximos meses, com potencial de influenciar o cenário político às vésperas das eleições.
O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, que também conduz outro inquérito sensível em Brasília: a investigação ligada ao escândalo de descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que o ministro pode se tornar peça central no ambiente político até outubro, já que eventuais decisões judiciais — como quebras de sigilo, novas prisões ou denúncias — podem atingir autoridades com foro privilegiado.
Atualmente, a Polícia Federal analisa grande volume de provas apreendidas durante a Operação Compliance Zero, que investigou um esquema de fraudes financeiras envolvendo o banco.
Segundo informações do processo, 111 celulares apreendidos ainda passam por perícia, o que indica que a investigação está longe de uma conclusão e pode revelar novos desdobramentos.
Entre os pontos apurados estão possíveis relações do banqueiro Daniel Vorcaro com agentes políticos e autoridades públicas, além do uso de informações e operações financeiras suspeitas.
Mensagens encontradas em celulares do empresário mencionam encontros e contatos com lideranças políticas de Brasília.
O banqueiro citou, por exemplo, o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, como um “grande amigo de vida”. Também relatou um jantar na residência oficial do presidente da Câmara, Hugo Motta, além de mencionar um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Essas referências estão sendo analisadas para verificar se houve ou não relação direta com as investigações.
Paralelamente, Mendonça também conduz investigações relacionadas ao escândalo do INSS que envolvem a possível atuação de intermediários em esquemas de descontos indevidos em benefícios.
Nesse contexto, a Polícia Federal investiga movimentações financeiras do empresário Fábio Luís Lula da Silva, para verificar se ele recebeu pagamentos do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, apontado como um dos pivôs do esquema.
Os investigadores buscam confirmar duas versões distintas:
a suspeita de que ele teria recebido pagamentos mensais de cerca de R$ 300 mil como sócio oculto do lobista;
ou a versão apresentada pela defesa, de que os dois mantinham apenas negócios privados ligados ao setor de canabidiol, sem relação com recursos públicos.
O processo do Banco Master passou para André Mendonça em fevereiro, após o ministro Dias Toffoli deixar a relatoria.
A saída ocorreu depois que investigadores encontraram menções ao nome do magistrado em mensagens apreendidas em celulares ligados ao banqueiro.
Toffoli negou qualquer relação com o empresário ou recebimento de valores.
Outro episódio que gerou debate envolve um contrato de R$ 3,6 milhões mensais firmado pelo banco com um escritório ligado à advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Moraes afirma que ministros do Supremo estão legalmente impedidos de julgar processos em que parentes atuem como advogados.
Nos bastidores de Brasília, parlamentares avaliam que o andamento das investigações pode influenciar o ambiente político em ano eleitoral.
Pesquisas recentes indicam um cenário de disputa apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, que aparece como possível candidato da oposição.
Por isso, aliados do governo e da oposição acompanham com atenção o ritmo das investigações no Supremo.
Segundo interlocutores do ministro André Mendonça, o magistrado considera ideal evitar decisões de grande impacto durante o período eleitoral. Ainda assim, ele teria indicado que não deixará de tomar medidas judiciais caso as investigações apontem crimes graves.
Enquanto a análise das provas continua, autoridades avaliam que novos desdobramentos podem surgir nos próximos meses, mantendo o caso entre os temas mais sensíveis da política nacional.