
O senador Flávio Bolsonaro criticou nesta quarta-feira (11) a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de cancelar a viagem ao Chile para participar da posse do novo presidente do país, José Antonio Kast.
Após a cerimônia, realizada em Valparaíso, sede do Congresso chileno, Flávio afirmou que Lula teria sido “pequeno” ao desistir da viagem.
“Lula foi muito pequeno com essa postura, porque não consegue conviver com pessoas que pensam diferente dele. O Chile é um parceiro do Brasil e pode ser uma saída brasileira para o Oceano Pacífico”, declarou o senador.
Flávio também disse que o presidente brasileiro deixou de priorizar os interesses do país por motivos pessoais.
O senador ainda comparou Lula ao novo presidente chileno.
“O presidente Kast é muito maior que Lula. Se eu fosse ele, iria descansar, já deu o que tinha que dar no Brasil”, afirmou.
Na terça-feira (10), em entrevista ao canal chileno 24 Horas, da emissora pública Televisión Nacional de Chile, Flávio já havia criticado o presidente brasileiro.
Segundo ele, Lula “não respeita quem pensa diferente”.
Já Lula classificou como “indelicadeza” o convite feito por Kast ao senador brasileiro para participar da cerimônia.
A posse de José Antonio Kast marca uma mudança no cenário político chileno.
O novo presidente venceu as eleições de 14 de dezembro de 2025 com 58,2% dos votos, derrotando a candidata da esquerda Jeannette Jara, que obteve 41,8%.
A vitória representa mais um exemplo do avanço de governos de direita em diferentes países da América Latina nos últimos anos.
Com a chegada de Kast ao poder, países governados pela direita na América do Sul passam a incluir:
Chile (José Antonio Kast)
Argentina (Javier Milei)
Paraguai (Santiago Peña)
Equador (Daniel Noboa)
Bolívia (Rodrigo Paz)
Entre os governos identificados com a esquerda estão:
Brasil (Luiz Inácio Lula da Silva)
Colômbia (Gustavo Petro)
Uruguai (Yamandú Orsi)
Venezuela (Delcy Rodríguez)
Guiana (Irfaan Ali)
Suriname (Jennifer Geerlings-Simons)
Segundo analistas políticos, esse cenário mostra um equilíbrio ideológico na região, com alternância frequente entre governos de direita e esquerda.
Para o analista internacional Felippe Ramos, o crescimento de candidaturas de direita na América Latina tem relação direta com preocupações da população com segurança pública e imigração.
Kast venceu as eleições defendendo uma política de “mão dura” contra o crime e prometeu expulsar migrantes irregulares do país.
Especialistas também apontam influência da política externa dos Estados Unidos na região, especialmente após o retorno de Donald Trump ao poder.