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Lula diz que não quer impor subsídio do diesel “na marra” aos estados

Lula diz que não quer impor subsídio do diesel “na marra” aos estados

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
01/04/2026 às 16h02
Lula diz que não quer impor subsídio do diesel “na marra” aos estados
Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (1º) que o governo federal não pretende impor “na marra” um subsídio para baratear o preço do diesel nos estados. Segundo ele, a prioridade é construir um acordo com os governadores para tentar conter a alta do combustível no país.

A declaração foi feita durante entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação, no Ceará. Lula também afirmou que, diante de aumentos considerados abusivos nos preços, o governo poderá punir responsáveis por irregularidades.

“Estamos com a Polícia Federal e com os Procons fiscalizando. Porque vamos ter que colocar alguém na cadeia”, disse.

Governo aposta em subsídio ao diesel importado

A principal proposta em discussão entre o governo federal e os estados é a criação de uma subvenção ao diesel importado, ou seja, um apoio financeiro para reduzir o custo do combustível que chega ao país.

O plano prevê um subsídio de R$ 1,20 por litro, dividido igualmente entre União e estados:

  • R$ 0,60 pagos pelo governo federal
  • R$ 0,60 pagos pelos estados

Somado a uma ajuda anterior de R$ 0,32 concedida pela União, o apoio total poderia chegar a R$ 1,52 por litro de diesel importado.

A participação dos estados ocorreria por meio da retenção de parte do Fundo de Participação dos Estados (FPE), principal mecanismo de repasse de recursos federais às unidades da federação.

  • A adesão ao programa não será obrigatória. Cada estado poderá decidir se participa ou não da iniciativa.

Segundo levantamento citado pelo governo, pelo menos 21 estados já sinalizaram apoio à proposta.

A expectativa do Executivo é que uma participação ampla aumente a eficácia da medida para conter a alta do diesel.

O governo argumenta que a medida é necessária porque o Brasil ainda depende da importação de cerca de 30% do diesel consumido no país.

O restante — cerca de 70% — é produzido internamente.

Segundo Lula, a pressão recente nos preços tem relação direta com a guerra no Oriente Médio, especialmente após o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo.

“Tomamos a atitude de isentar PIS e Cofins, equivalente a 32 centavos no preço do diesel, para a Petrobras não precisar aumentar”, afirmou o presidente.

ICMS foi primeira proposta

Inicialmente, o governo federal tentou negociar com os estados uma redução do ICMS, imposto estadual que compõe parte importante do preço final dos combustíveis.

A proposta previa dividir o custo da redução entre União e estados. No entanto, governadores rejeitaram a ideia por temer perda de arrecadação.

Diante da resistência, o governo passou a defender a subvenção direta ao diesel importado, considerada uma solução politicamente mais viável.

Comparação com medidas do governo Bolsonaro

Durante a entrevista, Lula também afirmou que as ações atuais não têm relação com as medidas adotadas no governo de Jair Bolsonaro para reduzir o preço dos combustíveis.

Em 2022, durante a campanha eleitoral, o governo Bolsonaro adotou uma série de medidas para conter a inflação, incluindo:

  • zerar PIS e Cofins sobre o diesel
  • limitar o ICMS sobre combustíveis, energia elétrica e telecomunicações

Na época, governadores criticaram a medida e afirmaram que a mudança provocou perdas bilionárias de arrecadação para os estados.

Segundo Lula, o cenário atual é diferente por causa das tensões geopolíticas e da alta do petróleo no mercado internacional.

Medida será temporária

De acordo com o governo federal, o subsídio ao diesel terá caráter emergencial e deve valer por até dois meses.

A intenção é reduzir o impacto imediato da alta do petróleo no mercado internacional e evitar aumentos mais fortes no preço do combustível.

O diesel é considerado estratégico para a economia brasileira porque é o principal combustível do transporte de cargas. Por isso, qualquer aumento costuma ter efeito direto no preço dos alimentos, produtos e serviços, pressionando a inflação.

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