
A Nasa lançou com sucesso, nesta quarta-feira (1º), a missão Artemis 2, primeira missão tripulada do programa Artemis destinada a viajar até a Lua no século 21. A decolagem ocorreu às 19h35 (horário de Brasília), a partir da plataforma 39B do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, marcando o retorno de astronautas a uma jornada lunar 53 anos após a última missão do programa Apollo, em 1972.
A cápsula Orion, batizada pela tripulação de Integrity, foi impulsionada pelo foguete SLS (Space Launch System), desenvolvido pela Nasa especificamente para as missões lunares. O lançamento ocorreu dentro da janela prevista e, segundo a agência espacial, o desempenho do foguete foi considerado dentro do esperado.
A missão é comandada pelo astronauta Reid Wiseman, de 50 anos, tendo Victor Glover, de 49, como piloto. A tripulação também conta com os especialistas de missão Christina Koch, de 47 anos, e o astronauta canadense Jeremy Hansen, de 50.

Minutos antes da decolagem, Hansen enviou uma mensagem ao controle de missão em Houston.
- “Aqui é o Jeremy, estamos indo por toda a humanidade”, disse o astronauta.
A diretora de lançamento da Nasa, Charlie Blackwell-Thompson, também se dirigiu aos tripulantes antes do início da missão.
“Reid, Victor, Christina e Jeremy, nesta missão histórica vocês levam consigo o coração desta equipe Artemis, o espírito ousado do povo americano e de nossos parceiros ao redor do mundo, e as esperanças e sonhos de uma nova geração.”
Após o lançamento, o comandante Reid Wiseman comentou o momento histórico:
“Temos um lindo nascer da lua. Estamos indo direto em direção a ela.”
Nos primeiros minutos de voo, o foguete SLS realizou a separação dos propulsores auxiliares e a queima completa do primeiro estágio. Cerca de oito minutos após o lançamento, o segundo estágio e a cápsula Orion entraram na trajetória planejada.
Uma ativação do segundo estágio, 49 minutos após a decolagem, colocou a nave em uma órbita com perigeu de 185 quilômetros e apogeu de pouco mais de 2.200 quilômetros.
Cerca de uma hora depois, uma nova manobra elevou o apogeu da órbita para 70,4 mil quilômetros, o que representa aproximadamente um sexto da distância entre a Terra e a Lua.
Três horas após o lançamento, a cápsula Orion se separou do segundo estágio do foguete, e os astronautas realizaram manobras manuais de aproximação e afastamento, testando procedimentos que serão essenciais para futuras missões de acoplagem em órbita.
Durante entrevista coletiva após o lançamento, a Nasa informou que houve uma breve interrupção na comunicação com os astronautas, recuperada instantes depois. A causa ainda está sendo investigada.
O segundo dia da missão será dedicado a testes do sistema de suporte à vida da cápsula Orion, que voa pela primeira vez com tripulação a bordo. No voo anterior, a Artemis 1, em 2022, a nave realizou uma missão não tripulada.
Entre os experimentos previstos está a avaliação do sistema de exercícios físicos instalado na cápsula, essencial para manter a saúde dos astronautas em ambiente de microgravidade.
Os tripulantes também verificarão como o movimento durante os exercícios pode impactar a estabilidade da nave, já que o espaço interno da Orion é pequeno, comparável ao tamanho de uma tenda para seis pessoas.
A etapa principal da missão deve começar na quinta-feira (2), por volta das 20h, quando será realizada a manobra conhecida como injeção translunar.
Essa manobra consiste na ativação do motor da cápsula Orion para que a nave escape da gravidade da Terra e siga em direção à Lua.
A expectativa é que o sobrevoo lunar ocorra no dia 6, quando os astronautas poderão observar regiões do lado oculto da Lua, normalmente visíveis apenas em imagens captadas por sondas automáticas.
Durante esse momento, a tripulação estará a mais de 400 mil quilômetros da Terra. O recorde atual de distância percorrida por humanos no espaço foi estabelecido pela missão Apollo 13, que chegou a 400.171 quilômetros do planeta.
A missão Artemis 2 marca a primeira vez desde dezembro de 1972, com a missão Apollo 17, que astronautas realizam uma viagem em direção à Lua.
A tripulação também representa um marco histórico. A missão inclui:
A missão deve durar até o dia 10, quando a cápsula Orion retornará à Terra.
A Nasa pretende aumentar o ritmo das missões de exploração do espaço profundo, com a meta de realizar ao menos um lançamento do programa Artemis por ano.
O primeiro pouso tripulado na Lua dentro do programa está previsto para a Artemis 4, em 2028, embora a agência reconheça que o cronograma pode sofrer atrasos. A atual missão, por exemplo, chegou a ser prevista inicialmente para 2022, depois 2024 e 2025, antes de ocorrer em 2026.
As missões de pouso dependerão do desenvolvimento de módulos de aterrissagem pelas empresas Blue Origin e SpaceX, que trabalham nos veículos Blue Moon e Starship.
Esses sistemas ainda precisam demonstrar capacidade de reabastecimento em órbita, pouso suave na Lua e decolagem para retorno à Terra.
Enquanto os Estados Unidos avançam com o programa Artemis, a China também planeja enviar astronautas à superfície lunar antes de 2030.
O programa chinês segue uma arquitetura considerada mais conservadora, semelhante ao modelo utilizado no programa Apollo, o que pode aumentar as chances de cumprimento do cronograma.
Com isso, cresce a expectativa de uma nova corrida espacial para definir qual país será o primeiro a levar astronautas de volta à Lua neste século.