
A nave da missão Artemis 2, da NASA, entrou nesta segunda-feira (6) na chamada “esfera de influência” da Lua, região em que a gravidade do satélite passa a exercer maior força sobre a nave do que a gravidade da Terra. O momento marca uma etapa decisiva da viagem da cápsula Orion, que leva quatro astronautas em uma missão histórica ao redor da Lua.
Na prática, a nave deixou de estar predominantemente sob a influência gravitacional da Terra e passou a ser guiada principalmente pela atração da Lua. A agência espacial descreve o fenômeno como se a nave tivesse cruzado uma fronteira invisível no espaço, na qual a dinâmica da trajetória passa a ser determinada pelo satélite natural.
“Percebemos que entramos na esfera de influência lunar há cerca de uma hora e agora estamos caindo em direção à Lua, em vez de nos afastarmos da Terra. É um marco incrível”, informou a NASA.
Ainda nesta segunda-feira, a missão também deve alcançar a maior distância já registrada entre humanos e o planeta Terra, cerca de 406 mil quilômetros, superando marcas históricas do programa Apollo.
A NASA programou para esta segunda-feira a transmissão do sobrevoo lunar da Artemis 2, com início às 14h (horário de Brasília). Os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen devem iniciar as observações da superfície lunar às 15h45, trabalhando em duplas.
A transmissão utilizará imagens captadas por câmeras instaladas na cápsula Orion. Segundo a cientista Kelsey Young, da diretoria de missões científicas da NASA, a tripulação poderá observar a Lua a uma distância incomum para observação direta.
Apesar disso, ela explicou que as imagens podem parecer mais escuras do que fotografias tradicionais.
“Vai estar muito escuro lá, então não vai parecer tão nítido e bem iluminado como nas fotografias”, afirmou.
Durante o sobrevoo, os astronautas devem analisar formações geológicas da superfície lunar, fluxos antigos de lava e crateras, registrando milhares de imagens para estudos científicos. A tripulação recebeu treinamento específico para identificar diferentes regiões do satélite.
A expectativa é que eles consigam observar cerca de 20% do chamado lado oculto da Lua, região que nunca é visível da Terra.
Por volta das 20h (horário de Brasília), a missão deve passar por um momento conhecido nas missões lunares: a perda temporária de comunicação com a Terra. Os sinais de rádio devem cair gradualmente por cerca de 40 minutos, algo considerado normal nesse tipo de trajetória e já registrado nas missões Apollo e Artemis 1.
Nesse período, a cápsula também deve atingir o ponto mais próximo da Lua, a aproximadamente 6.500 quilômetros da superfície lunar.

Mais tarde, por volta das 21h35, os astronautas devem presenciar um eclipse solar, quando a Lua ficará alinhada entre a Orion e o Sol, bloqueando temporariamente a luz da estrela.
As observações lunares devem ser concluídas por volta das 22h20.
A missão Artemis 2, iniciada em 1º de abril, deve durar cerca de dez dias e marcará o primeiro voo tripulado rumo à Lua desde 1972, quando a missão Apollo 17 levou astronautas pela última vez ao satélite natural da Terra.