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Governo contrata navios para COP30 com ligação a sócio de Vorcaro, diz jornal

Documento aponta uso de operadora turística com conexão empresarial ao dono do Banco Master

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
22/04/2026 às 17h04
Governo contrata navios para COP30 com ligação a sócio de Vorcaro, diz jornal
Foto: Reprodução

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contratou navios de cruzeiro para hospedagem de delegações durante a COP30 por meio de uma empresa ligada a um sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo apuração própria, com base em documento da Casa Civil, a União utilizou a operadora Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda. para viabilizar a contratação das embarcações.

O material indica que a contratação foi realizada por meio da Embratur, vinculada à Secretaria Especial da COP30, que posteriormente subcontratou a Qualitours. A empresa, por sua vez, firmou contratos com as companhias marítimas Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros para disponibilização das cabines.

Ligação empresarial com Vorcaro

A Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen, apontado como sócio de Vorcaro em um empreendimento hoteleiro de luxo em Campos do Jordão (SP), o Botanique.

Além disso, a empresa integra a holding BeFly, criada por Cohen e impulsionada por recursos de fundos ligados ao Banco Master, conforme reportagens já publicadas pela imprensa.

Ainda segundo informações divulgadas, um relatório de inteligência financeira (RIF) apontou uma transação em espécie de R$ 6 milhões entre o banco de Vorcaro e uma empresa ligada ao empresário.

Em nota, a Embratur afirmou que a contratação da Qualitours ocorreu por meio de chamamento público e seguiu critérios técnicos e legais. O órgão também negou qualquer participação do Banco Master na operação.

Íntegra da nota da Embratur:

“O Governo Federal, por meio da Secretaria Extraordinária para a COP30 e da Embratur, contratou dois navios de cruzeiro para atuarem como unidades temporárias de hospedagem durante a COP30, que foi realizada em Belém (PA), entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025.

A seleção da empresa responsável pela operação e comercialização das cabines ocorreu por meio de chamamento público conduzido pela Embratur. A Qualitours apresentou todos os documentos legalmente exigidos para atestar idoneidade e capacidade de execução do contrato.

A estruturação financeira da operação foi garantida pelo banco BTG Pactual, por meio da emissão de carta fiança. Não houve qualquer participação do Banco Master no processo de contratação dos navios.

O contrato entre Embratur e Qualitours já foi auditado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Por decisão unânime, o plenário do TCU considerou a contratação regular.

No acórdão 756/2026, o Tribunal considerou ‘a plausibilidade da fundamentação técnica, jurídica e estratégica para a decisão, bem como os estudos preliminares que a sustentaram’. Além disso, o TCU também atestou que o modelo adotado pela Embratur se mostrou ‘economicamente mais vantajoso em comparação à alternativa de afretamento direto’.”

A holding BeFly afirmou que o Banco Master atuou apenas como provedor de crédito em operações passadas e negou irregularidades.

Íntegra da nota da BeFly:

“A BeFly reitera que o Banco Master atuou como instituição provedora de linhas de crédito contratadas entre 2021 e 2023 para apoiar parte do ciclo de aquisições da companhia, em conjunto com recursos próprios gerados pela operação. Esses compromissos seguem sendo regularmente honrados. A companhia reitera sua operação sólida e autonomia financeira, sem conexão com qualquer irregularidade.”

Já a Qualitours declarou que a contratação seguiu critérios técnicos e legais.

Íntegra da nota da Qualitours:

“A Qualitours informa que foi contratada pela Embratur para operar navios de hospedagem de apoio à COP, em processo regular e compatível com as exigências técnicas do projeto. A empresa reafirma a conformidade da contratação e dos serviços.”

A contratação dos navios ocorreu para atender à demanda de hospedagem durante a COP30, realizada em Belém (PA), diante da limitação da rede hoteleira local para receber delegações internacionais.

O caso ganha relevância por envolver conexões empresariais com investigados em outras frentes, embora, segundo os órgãos oficiais, o processo tenha seguido trâmites legais e já tenha sido validado pelo Tribunal de Contas da União.

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