
A mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, no norte de Goiás, afirmou que não exporta minério bruto de terras raras, mas sim um concentrado mineral processado e de maior valor agregado. A declaração ocorre após críticas à negociação com a empresa americana USA Rare Earth, que prevê a venda da operação por cerca de US$ 2,8 bilhões.
Segundo a companhia, o material exportado é um carbonato misto de terras raras de alta pureza, resultado de um processo industrial desenvolvido ao longo de anos.
A empresa destaca que o produto contém elementos estratégicos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, fundamentais para tecnologias como veículos elétricos e turbinas eólicas.
Apesar disso, a mineradora admite que o Brasil ainda não possui tecnologia para realizar a separação completa desses elementos em escala industrial. A parceria com a empresa norte-americana busca justamente viabilizar essa etapa, que ainda pode ou não ser realizada no país, a depender de estudos técnicos e econômicos.
O acordo com a USA Rare Earth prevê a integração das operações para atuação em toda a cadeia produtiva — da extração até a fabricação de ímãs permanentes.
A negociação, no entanto, gerou críticas de autoridades e questionamentos jurídicos. O principal ponto levantado é que os recursos minerais do subsolo pertencem à União, o que exige regulamentação específica para exploração e comercialização.
O caso já chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de uma ação que pede a análise da constitucionalidade da operação.
A Serra Verde iniciou produção comercial em 2024 e é considerada uma das poucas mineradoras fora da Ásia com produção em escala de elementos magnéticos essenciais.
A empresa projeta ampliar a produção para 6,4 mil toneladas por ano até 2027, com expectativa de expansão e impacto econômico na região de Minaçu.
O tema ganha relevância global diante da disputa por minerais críticos, considerados estratégicos para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia.