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Cães-robôs com rostos de bilionários fazem “arte” em museu de Berlim

Instalação do artista Beeple usa inteligência artificial e figuras como Elon Musk e Mark Zuckerberg para questionar o poder das plataformas digitais

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
29/04/2026 às 16h16
Cães-robôs com rostos de bilionários fazem “arte” em museu de Berlim
Foto: Reprodução

Um museu em Berlim virou palco de uma das instalações mais provocativas da arte contemporânea recente. Na Neue Nationalgalerie, cães-robôs com cabeças hiper-realistas de bilionários da tecnologia circulam pelo espaço e, de forma simbólica, “expelêm” imagens produzidas por inteligência artificial.

A obra, intitulada Regular Animals, é assinada pelo artista americano Beeple e propõe uma reflexão direta sobre o papel das grandes plataformas digitais na construção da realidade contemporânea.

Tecnologia, ironia e crítica social

Os robôs utilizam câmeras para capturar imagens do ambiente ao redor. Em seguida, um sistema de inteligência artificial transforma essas imagens com base na “visão de mundo” associada à personalidade representada — como Elon Musk, Mark Zuckerberg e Jeff Bezos.

O resultado é impresso e liberado pelos robôs em uma ação performática que mistura humor, desconforto e crítica. Segundo os organizadores, a proposta é evidenciar como algoritmos e plataformas moldam o que as pessoas veem, consomem e interpretam no dia a dia.

A instalação também inclui outras figuras, como o líder norte-coreano Kim Jong-un e artistas como Pablo Picasso e Andy Warhol — cada um com estilos visuais característicos recriados pela IA.

Beeple sustenta que, historicamente, artistas eram responsáveis por influenciar a percepção coletiva da sociedade. Hoje, segundo ele, esse papel foi assumido por executivos de tecnologia, que controlam fluxos de informação por meio de códigos e plataformas digitais.

A obra reforça esse argumento ao transformar líderes das chamadas “big techs” em figuras quase caricatas, responsáveis por “processar” e “devolver” a realidade ao público.

Mercado, NFTs e repercussão

A instalação foi apresentada originalmente na Art Basel Miami Beach 2025, onde o artista distribuiu imagens produzidas pelos robôs acompanhadas de certificados irônicos que as classificavam como “100% orgânicas”.

Algumas dessas imagens incluíam códigos QR que davam acesso a NFTs, permitindo que o público monetizasse a arte digital.

Beeple é hoje um dos artistas vivos mais valorizados do mundo. Em 2021, ele entrou para a história ao vender uma obra digital por mais de US$ 69 milhões em um leilão da Christie's — marco que consolidou o mercado de NFTs na arte contemporânea.

A instalação em Berlim reforça a linha crítica do artista, que utiliza tecnologia e cultura digital para questionar o poder, a influência e os limites das plataformas na sociedade atual.

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