
O Brasil chegou às quartas de final da etapa de Peniche, em Portugal, com três representantes e uma constatação que vai muito além de um bom dia de competição: a Brazilian Storm continua fazendo do país uma das principais forças do surfe mundial.
Nesta sexta-feira (16), Gabriel Medina derrotou Filipe Toledo no confronto entre campeões mundiais e garantiu sua classificação. Italo Ferreira e Yago Dora também venceram suas baterias e mantiveram forte presença brasileira na disputa pelo título da etapa portuguesa do Championship Tour da WSL.
O resultado de Medina ganhou destaque não apenas pelo tamanho dos dois nomes envolvidos. Depois de ser eliminado por Filipe em outros dois confrontos nas oitavas nesta temporada, o tricampeão mundial respondeu com uma atuação dominante.
Medina somou 12 pontos, com notas 7,00 e 5,00, contra apenas 2,30 de Filipe Toledo.
Agora, enfrenta o australiano Morgan Cibilic nas quartas de final.
Mas talvez a principal notícia de Peniche não esteja apenas na vitória de Medina.
Está na quantidade e, principalmente, na qualidade dos brasileiros que continuam chegando às fases decisivas do principal circuito do planeta.
Durante décadas, o Brasil revelou grandes surfistas e construiu uma comunidade apaixonada pela modalidade. O salto definitivo no cenário internacional, porém, aconteceu com a geração que passou a ser conhecida como Brazilian Storm.
O termo ganhou força para representar uma geração de brasileiros que começou a ocupar cada vez mais espaço na elite mundial e mudou a percepção sobre o país dentro do circuito.
A conquista do primeiro título mundial de Gabriel Medina, em 2014, tornou-se um marco dessa transformação.
Depois dele, o Brasil não parou.
Adriano de Souza, o Mineirinho, Filipe Toledo e Italo Ferreira ajudaram a consolidar uma era de protagonismo brasileiro. Medina conquistou outros dois títulos e tornou-se tricampeão mundial. Italo também levou o Brasil ao topo do pódio na estreia olímpica do surfe em Tóquio.
O que inicialmente parecia uma geração extraordinária começou a demonstrar características de algo maior.
O Brasil criou uma cultura vencedora dentro do circuito mundial.
Talvez nenhum nome represente melhor a continuidade desse processo atualmente do que Yago Dora.
Líder do ranking mundial, o brasileiro também está nas quartas em Portugal.
Contra Connor O'Leary, Yago precisou buscar a reação. Depois de começar em desvantagem, encontrou uma onda avaliada em 7,83 e posteriormente melhorou sua segunda nota para 5,83, fechando a bateria com 13,66 pontos contra 11,67.
Nas quartas, enfrentará Ethan Ewing.
O desempenho de Yago ajuda a demonstrar uma característica fundamental da atual força brasileira: o país deixou de depender exclusivamente dos nomes que iniciaram a Brazilian Storm.
Novos atletas passaram a chegar ao circuito já carregando a expectativa de disputar vitórias.
Outro campeão mundial brasileiro permanece vivo em Peniche.
Italo Ferreira derrotou Jack Robinson por 15,00 a 10,43 depois de conseguir a virada em uma bateria de alto nível.
O potiguar encontrou dois tubos importantes e recebeu notas 7,83 e 7,17.
Agora terá pela frente o português Guilherme Ribeiro, representante da casa que surpreendeu ao eliminar Kanoa Igarashi.
A presença simultânea de Medina, Italo e Yago entre os oito melhores reforça a profundidade brasileira no circuito.
Não existe apenas um atleta capaz de disputar grandes resultados.
Existem vários.
Esse talvez seja o principal legado da Brazilian Storm.
Uma geração vencedora pode produzir campeões.
Uma potência esportiva precisa produzir novas gerações capazes de continuar vencendo.
O sucesso dos brasileiros no circuito aumentou a exposição da modalidade no país, criou referências para jovens atletas e ajudou a transformar o surfe em um esporte cada vez mais presente no imaginário esportivo nacional.
Quando um jovem brasileiro começou a surfar acompanhando Medina, Mineirinho, Italo ou Filipe vencendo no maior circuito do mundo, a percepção sobre aquilo que era possível também mudou.
O título mundial deixou de parecer uma exceção.
Passou a ser um objetivo real.
E essa mudança cultural ajuda a explicar por que novos brasileiros continuam aparecendo preparados para competir contra os melhores do planeta.
O dia brasileiro também teve eliminações.
Miguel Pupo protagonizou uma das disputas mais equilibradas das oitavas, mas perdeu para Seth Moniz por apenas 0,20 ponto: 12,80 a 12,60.
João Chianca, o Chumbinho, e Samuel Pupo também deixaram a competição masculina, enquanto Luana Silva foi eliminada por Bettylou Sakura Johnson na chave feminina.
Mesmo com as baixas, o Brasil chega às quartas masculinas com três dos oito surfistas ainda na disputa.
Uma presença de 37,5% entre os classificados.
E existe um significado especial em ver Gabriel Medina novamente entre os protagonistas.
Medina não é apenas mais um brasileiro disputando uma etapa do circuito.
Ele representa um dos principais pontos de ruptura da história do surfe nacional.
Quando conquistou seu primeiro título mundial, ajudou a transformar a Brazilian Storm de promessa em realidade. Anos depois, o Brasil não depende mais exclusivamente dele para sonhar com títulos.
Talvez essa seja justamente uma das maiores provas de seu legado.
Hoje, Medina pode entrar no mar e encontrar do outro lado Filipe Toledo, outro campeão mundial brasileiro.
Pode avançar e dividir as quartas com Italo Ferreira, outro campeão mundial e olímpico.
E pode observar Yago Dora liderando o ranking mundial e representando uma nova possibilidade de título para o país.
A Brazilian Storm começou como uma maneira de definir uma geração que estava invadindo a elite mundial.
Hoje, o cenário é diferente.
O Brasil já não surpreende quando coloca vários atletas nas fases decisivas.
Passou a ser esperado.
E talvez seja justamente essa a maior demonstração da transformação provocada por aquela geração.
O país não apenas produziu campeões. Criou referências, ampliou o interesse pela modalidade e estabeleceu uma cultura competitiva capaz de continuar revelando surfistas com condições de enfrentar os melhores do mundo.
Em Peniche, três brasileiros estão entre os oito sobreviventes.
Medina busca mais uma conquista.
Italo continua perigoso.
Yago defende a liderança mundial.
Os nomes mudam, novas caras aparecem, mas o Brasil permanece.
A Brazilian Storm deixou de ser apenas uma geração. Virou uma escola de campeões e transformou o Brasil em potência do surfe mundial.
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