
O Flamengo voltou da Argentina com um resultado melhor do que o futebol apresentado. O empate por 0 a 0 com o Estudiantes, na quinta-feira (15), em La Plata, manteve completamente aberta a semifinal da Libertadores e deixou para o Maracanã a definição de quem avançará à grande decisão continental.
Foi uma partida morna, travada e de pouca inspiração rubro-negra. O Flamengo teve 55% de posse de bola, mas terminou os mais de 90 minutos com apenas cinco finalizações e, mais preocupante, nenhuma na direção do gol de Fernando Muslera.
O Estudiantes produziu muito mais ofensivamente. Foram 21 finalizações, seis delas na direção de Agustín Rossi.
Mesmo assim, não conseguiu transformar a superioridade em vantagem.
E é justamente aí que o empate ganha valor para o Flamengo.
Não há muito como defender o desempenho ofensivo do Flamengo em La Plata.
A equipe teve posse, mas foi pouco agressiva. Faltaram velocidade na circulação, aproximação entre os setores e capacidade de transformar o controle da bola em situações reais de gol.
Sem Arrascaeta, lesionado, e Jorginho, suspenso, o Flamengo perdeu referências importantes para organizar o jogo.
Saúl entrou no meio-campo, enquanto Paquetá assumiu maior responsabilidade na criação. Na frente, Bruno Henrique teve dificuldades para encontrar espaço em profundidade, enquanto Carrascal e Samuel Lino pouco conseguiram produzir pelas beiradas.
O resultado foi uma equipe que permaneceu com a bola durante períodos consideráveis, mas quase nunca conseguiu incomodar Muslera.
Ter mais posse e terminar uma semifinal de Libertadores sem acertar o gol adversário é um sinal de alerta.
Também existe mérito do outro lado.
O Estudiantes mostrou exatamente aquilo que se espera de um adversário tradicionalmente descrito no futebol como um time “chato” de enfrentar.
Traduzindo o termo para aquilo que aconteceu dentro de campo: foi uma equipe competitiva, intensa nas disputas, organizada sem a bola e capaz de impedir que o Flamengo encontrasse conforto durante a partida.
Não apresentou necessariamente um futebol brilhante, mas conseguiu levar o confronto para um cenário que lhe interessava.
O time argentino ganhou disputas, explorou bolas aéreas, pressionou e finalizou muito mais.
A grande oportunidade aconteceu aos 32 minutos do primeiro tempo. Após uma sobra dentro da área, Tiago Palacios finalizou cruzado, superou Rossi, mas viu Léo Pereira salvar praticamente sobre a linha.
O Flamengo esteve mais próximo de sofrer um gol do que de marcar.
É aqui que desempenho e resultado precisam ser analisados separadamente.
O Flamengo jogou mal. O resultado, porém, não foi ruim.
Em uma semifinal disputada em 180 minutos, voltar de La Plata sem sofrer gols e sem carregar qualquer desvantagem para o Maracanã representa um ganho importante diante das circunstâncias da partida.
Existe até um leve sabor de vitória.
Não porque o Flamengo tenha feito por merecer dentro de campo, mas porque conseguiu sair praticamente ileso de uma noite em que o adversário produziu muito mais.
Agora, uma vitória simples no Rio de Janeiro coloca o Rubro-Negro na final da Libertadores.
Em caso de novo empate, a vaga será decidida nos pênaltis.
Existe, porém, um dado que impede qualquer excesso de confiança.
O Estudiantes já mostrou nesta Libertadores que consegue ser perigoso como visitante.
Nas oitavas de final, empatou por 1 a 1 com a Universidad Católica na Argentina e depois venceu por 3 a 0 no Chile.
Nas quartas, novamente empatou por 1 a 1 em La Plata, desta vez contra o Corinthians, antes de vencer por 1 a 0 na Neo Química Arena.
Ou seja, decidir a semifinal no Maracanã representa uma vantagem ambiental para o Flamengo, mas não garante vantagem esportiva no placar.
O confronto começa novamente empatado.
O maior alerta deixado pela partida está justamente aí.
O Flamengo não pode interpretar o 0 a 0 como sinal de que o plano funcionou perfeitamente.
Não funcionou.
A equipe sobreviveu.
No Maracanã, precisará produzir.
Leonardo Jardim terá de encontrar alternativas para acelerar a construção ofensiva, aproximar o meio-campo dos atacantes e evitar que o Estudiantes consiga novamente transformar a partida em um confronto físico e fragmentado.
Também será necessário criar soluções para um ataque que praticamente desapareceu em La Plata.
Nenhuma finalização certa em uma semifinal continental é pouco para um elenco com as ambições do Flamengo.
Talvez essa seja a melhor definição da noite rubro-negra na Argentina.
O placar permite otimismo.
A atuação exige preocupação.
O Flamengo conseguiu aquilo que precisava minimamente fora de casa: não perdeu.
Agora terá o Maracanã e sua torcida para tentar conquistar a vaga na decisão.
Mas o Estudiantes já provou nesta própria Libertadores que sabe competir longe de casa. Portanto, simplesmente repetir a atuação de La Plata esperando que o ambiente resolva a classificação seria perigoso.
Na Argentina, o Flamengo conseguiu sobreviver a uma atuação abaixo do esperado.
Na próxima quinta-feira (22), às 21h30, será diferente.
E para chegar na final, precisará acordar.
Acompanhe tudo sobre os times brasileiros na Libertadores em nosso portal de notícias e nas redes sociais da Lig Digital.