
O mercado financeiro aposta que o Banco Central do Brasil deve promover um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros nesta quarta-feira (29), levando a Selic para 14,5% ao ano. A decisão será tomada pelo Copom em um ambiente de maior incerteza global, especialmente por causa dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços de energia e alimentos.
A expectativa predominante entre economistas é de que o ritmo de queda dos juros seja mantido, mas com um ciclo mais curto do que o previsto anteriormente. A deterioração das projeções de inflação e o cenário externo mais volátil têm reduzido o espaço para cortes mais agressivos ao longo do ano.
O principal fator de cautela está na inflação. O último boletim Focus apontou alta nas expectativas para o IPCA de 2026, que chegou a 4,86%, acima do teto da meta do Banco Central. Para 2027 e 2028, as projeções também subiram, indicando desancoragem das expectativas no médio prazo.
A escalada dos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados, também contribui para esse cenário. O mercado já precifica um risco geopolítico mais elevado no Estreito de Ormuz, o que tende a manter o barril em patamares mais altos e pressionar os combustíveis.
Diante disso, instituições financeiras já revisam suas projeções. O Itaú Unibanco, por exemplo, elevou a estimativa da Selic ao final do ciclo de cortes para 13% ao ano, sinalizando uma política monetária mais restritiva por mais tempo.
A reunião desta quarta-feira ocorre com uma composição incompleta do Copom. Além de duas diretorias vagas no Banco Central, o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, está ausente por motivo pessoal. Com isso, a decisão será tomada pelo presidente Gabriel Galípolo e outros cinco diretores.
No cenário internacional, a chamada “superquarta” também inclui decisão do Federal Reserve, que manteve os juros nos Estados Unidos na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano. A autoridade monetária americana citou a inflação elevada e a incerteza provocada pela guerra no Oriente Médio como fatores determinantes para a manutenção da taxa.
O comportamento dos juros nos Estados Unidos influencia diretamente países emergentes como o Brasil, ao afetar o fluxo de capitais e o câmbio. Com isso, o Banco Central brasileiro tende a agir com mais cautela para evitar pressões adicionais sobre a inflação e a economia.
A combinação de inflação persistente, cenário externo adverso e incertezas fiscais indica que o ciclo de queda da Selic deve continuar, mas em ritmo moderado e com menor duração do que o inicialmente esperado pelo mercado.