
Os primeiros anexos da delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro teriam causado insatisfação no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo apuração da CNN Brasil, o ministro André Mendonça, relator do caso passou a desconfiar da condução da colaboração após identificar possíveis omissões e seletividade nas informações apresentadas pela defesa do empresário.
De acordo com interlocutores ouvidos pelo jornal, Mendonça avalia que parte dos fatos relevantes conhecidos pela investigação não apareceu nos primeiros anexos entregues à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
A delação de Vorcaro está ligada às investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e favorecimento político envolvendo o Banco Master.
Segundo a CNN, o ministro teria demonstrado preocupação com uma possível manipulação do conteúdo da colaboração premiada para proteger determinados envolvidos no esquema investigado.
A avaliação nos bastidores seria de que o ambiente político atual, marcado por tensão e disputas eleitorais antecipadas, poderia comprometer a credibilidade das informações apresentadas por Vorcaro.
Por isso, uma das possibilidades discutidas seria retardar a homologação da delação, deixando a análise definitiva para depois das eleições.
A reportagem afirma ainda que Mendonça passou a considerar a colaboração de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pela investigação como operador financeiro do esquema, como uma alternativa.
A insatisfação do ministro teria ficado evidente em uma conversa recente com o advogado José de Oliveira Lima, conhecido em Brasília como “Juca”, responsável pela defesa de Daniel Vorcaro.
Segundo aliados de Mendonça ouvidos pela CNN, o ministro teria citado um fato específico que já seria conhecido pela investigação, mas que não apareceu nos primeiros anexos apresentados pela defesa.
A tensão gerou rumores em Brasília sobre uma possível troca na defesa do ex-banqueiro. Procurado pela CNN, José de Oliveira Lima negou qualquer desgaste com o cliente e afirmou que sua relação com Vorcaro segue “excelente”.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março e tenta negociar um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.