
A Polícia Civil de Goiás investiga um possível caso de tráfico humano e adoção ilegal após três irmãos serem encontrados com famílias diferentes durante uma operação contra o tráfico de drogas em Serranópolis, no sudoeste do estado. As crianças, duas meninas gêmeas de 9 anos e um menino de 11, estavam há cerca de 15 dias com os suspeitos.
A descoberta aconteceu na última sexta-feira (22), quando equipes da Delegacia de Serranópolis e do Grupo de Repressão a Narcóticos (Genarc) de Jataí cumpriam um mandado de prisão contra um homem apontado como líder do tráfico na região. Durante as buscas em uma fazenda, os policiais encontraram uma das meninas vivendo com o suspeito e a esposa dele.
Segundo a investigação, o casal não conseguiu apresentar qualquer documento ou comprovação de vínculo familiar com a criança. O delegado Marlon Sousa afirmou que a menina estava assustada, retraída e não conseguia explicar a relação com os adultos.
Após a prisão do suspeito, os agentes localizaram os outros dois irmãos na casa dos pais dele, na área urbana de Serranópolis. De acordo com a polícia, as crianças relataram episódios de agressão física e maus-tratos, principalmente quando pediam comida ou reclamavam da situação em que viviam.
As vítimas foram encaminhadas para um local de acolhimento em Jataí. Os quatro adultos envolvidos tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva e seguem à disposição da Justiça.
As investigações apontam que os suspeitos teriam se aproveitado da situação de vulnerabilidade da mãe das crianças, que é usuária de drogas. A polícia apura se houve ameaça, coação ou troca relacionada a dívidas com o tráfico para que os filhos fossem entregues ao grupo.
Segundo o delegado, os suspeitos afirmaram que pretendiam adotar as crianças, mas nenhum procedimento legal foi iniciado. Apenas as certidões de nascimento foram encontradas com o casal. A Polícia Civil também investiga outros casos de adoção envolvendo a mesma família.
Para os investigadores, o caso não se enquadra como entrega voluntária, já que a condição de vulnerabilidade da mãe comprometeria qualquer consentimento legal. A polícia continua reunindo provas para esclarecer a participação de cada suspeito e identificar se há outras vítimas envolvidas no esquema.