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Chefe da Defesa dos EUA visita Cuba em meio à crise diplomática

Pete Hegseth esteve na base de Guantánamo e viagem ocorre em meio a declarações de Donald Trump sobre o futuro político da ilha

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
10/06/2026 às 14h54 Atualizada em 10/06/2026 às 15h56
Chefe da Defesa dos EUA visita Cuba em meio à crise diplomática
Foto: Reprodução

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, realizou nesta quarta-feira (10) uma visita à base naval norte-americana da Baía de Guantánamo, em Cuba. A viagem acontece em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Washington e Havana e foi confirmada oficialmente pelo Pentágono.

Após a agenda em Guantánamo, Hegseth seguirá para Tampa, na Flórida, onde visitará o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom), estrutura responsável por coordenar operações militares norte-americanas no Oriente Médio, incluindo ações relacionadas aos conflitos envolvendo Irã, Israel e seus aliados.

A visita ocorre em um momento de deterioração das relações entre os governos dos Estados Unidos e de Cuba. Nos últimos meses, integrantes da administração do presidente Donald Trump ampliaram as críticas ao regime cubano e passaram a defender mudanças políticas na ilha.

Trump e aliados afirmaram recentemente que uma transformação no sistema político cubano seria necessária para ampliar a abertura econômica e democrática do país. As declarações provocaram preocupação em Havana, que vê um aumento da pressão norte-americana sobre o governo local.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que Washington estaria avaliando diferentes formas de pressionar Cuba, incluindo medidas econômicas mais severas, tentativas de estimular instabilidade interna e, em um cenário extremo, apoio a uma escalada militar.

A presença do chefe do Pentágono em Guantánamo também tem forte peso simbólico. A base militar é controlada pelos Estados Unidos desde o início do século XX e há décadas é motivo de disputa diplomática entre os dois países.

Acusação contra Raúl Castro amplia crise diplomática

A tensão entre os dois governos aumentou ainda mais após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos formalizar acusações criminais contra o ex-presidente cubano Raúl Castro.

Segundo autoridades norte-americanas, a acusação está relacionada à derrubada de duas aeronaves civis do grupo de exilados cubanos Brothers to the Rescue, em 1996. O episódio resultou na morte de quatro pessoas, incluindo três cidadãos dos Estados Unidos.

O governo cubano sempre sustentou que os aviões haviam violado repetidamente o espaço aéreo da ilha. Já Washington classificou a ação como um ataque ilegal contra civis.

Ao comentar o caso, Donald Trump declarou que seu governo está “libertando Cuba” e afirmou não saber “o que acontecerá depois” com o país.

As novas acusações contra Raúl Castro e as declarações do presidente norte-americano reforçam o clima de confronto entre os dois governos e aumentam a preocupação sobre o futuro das relações entre Estados Unidos e Cuba em um cenário internacional marcado por instabilidade e disputas geopolíticas.

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