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Retorno do El Niño é confirmado e pode provocar ondas de calor, chuvas extremas e impactos na safra brasileira

NOAA aumenta para 63% a chance de fenômeno atingir intensidade muito forte; especialistas alertam para efeitos no clima e na produção agrícola

Redação
Por: Redação
15/06/2026 às 13h17
Retorno do El Niño é confirmado e pode provocar ondas de calor, chuvas extremas e impactos na safra brasileira

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente o retorno do fenômeno El Niño e elevou o alerta para os próximos meses. Segundo o órgão norte-americano, a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte subiu de 37% para 63%, cenário que pode trazer impactos significativos para o clima no Brasil e em diversas regiões do planeta.

De acordo com os modelos climáticos analisados pela NOAA, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial pode ultrapassar os 2°C acima da média histórica e alcançar níveis próximos de 2,5°C, colocando o evento entre os mais intensos já registrados.

O meteorologista Arthur Müller explica que o aumento da temperatura das águas do Pacífico é sustentado por uma grande reserva de água quente localizada abaixo da superfície do oceano, que deve emergir gradualmente nos próximos meses e reforçar ainda mais o fenômeno.

“Existe até a possibilidade de ser mais forte do que o evento de 2015 e 2016”, afirmou.

Efeitos devem ser sentidos no Brasil nas próximas semanas

Os primeiros reflexos do novo El Niño já começam a preocupar especialistas. No Brasil, o fenômeno costuma alterar significativamente os padrões climáticos, aumentando as chuvas na Região Sul e reduzindo os volumes de precipitação em parte do Norte e do Nordeste.

Além disso, há expectativa de ondas de calor mais frequentes e intensas em diversas regiões do país.

Durante o inverno, o fenômeno também tende a diminuir a ocorrência de geadas no Centro-Sul, alterando o comportamento típico da estação.

Para o setor agropecuário, as preocupações se concentram principalmente na safra 2026/27. Segundo Müller, a regularização das chuvas pode atrasar no Centro-Oeste e no Sudeste, impactando diretamente o calendário de plantio.

“A chuva deve se firmar apenas entre o fim de outubro e o começo de novembro, com ondas de calor intensas durante setembro, o que pode prejudicar a semeadura da próxima safra”, explicou.

Região Sul já registra sinais do fenômeno

Os efeitos mais imediatos já começam a aparecer no Sul do Brasil. Segundo os meteorologistas, a formação sucessiva de sistemas de baixa pressão e ciclones extratropicais deve manter elevados os volumes de chuva nas próximas semanas.

A previsão indica a formação de até cinco ciclones extratropicais em um intervalo de cerca de 15 dias, favorecendo temporais e acumulados expressivos de precipitação.

No Paraná, onde o solo já apresenta altos níveis de umidade, os acumulados podem ultrapassar 200 milímetros e, em algumas áreas, se aproximar dos 300 milímetros até o fim de junho.

O cenário preocupa especialmente produtores rurais que estão em fase de colheita do milho segunda safra e do feijão.

“Essas chuvas podem inviabilizar os trabalhos de campo em várias regiões do Paraná”, alertou Müller.

Possível prolongamento aumenta risco de incêndios

Além dos impactos previstos para os próximos meses, a NOAA monitora a possibilidade de o fenômeno se prolongar até 2027.

Caso isso aconteça, aumenta significativamente o risco de estiagens severas e de incêndios florestais, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil.

Especialistas destacam que a duração do evento ainda será acompanhada ao longo dos próximos meses, mas a confirmação do retorno do El Niño já acende um sinal de alerta para produtores rurais, setor energético, defesa civil e demais áreas diretamente afetadas pelas condições climáticas.

A expectativa agora é acompanhar a evolução do aquecimento do Pacífico e seus reflexos sobre o clima global, em um cenário que pode ser marcado por extremos meteorológicos nos próximos dois anos.

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