
A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) alcançou um novo recorde no número de servidores comissionados. Em maio de 2026, a Casa registrou 6.007 funcionários sem vínculo efetivo, maior número desde o início da gestão do presidente Bruno Peixoto (UB), em 2023. Na época, eram 3.711 comissionados, o que representa um aumento de aproximadamente 62% em pouco mais de três anos.
A quantidade de comissionados já supera a população de 109 municípios goianos. Cidades como Caturaí, Simolândia, Santa Rita do Araguaia, Britânia e Fazenda Nova possuem entre 5,3 mil e 5,8 mil habitantes, número inferior ao total de servidores comissionados da Alego. Em comparação, Vila Propício, no Entorno do Distrito Federal, tem 6.028 moradores, população semelhante ao quadro atual de comissionados da Assembleia.
Os dados do Portal da Transparência mostram que a Alego possui atualmente uma média de 146,5 servidores comissionados para cada um dos 41 deputados estaduais.
Do total, 4.355 estão lotados nos gabinetes parlamentares, enquanto outros 1.652 ocupam cargos na estrutura administrativa da Casa.
Cada deputado pode contratar até 120 servidores comissionados, desde que respeite o limite orçamentário destinado ao gabinete, atualmente de R$ 88,7 mil mensais. Segundo a administração da Assembleia, esse modelo permite maior flexibilidade na composição das equipes, já que o aumento do número de servidores pode ocorrer com salários menores, sem necessariamente elevar o custo por gabinete.
A folha de pagamento dos servidores comissionados consumiu R$ 37,5 milhões em maio. Além disso, foram pagos cerca de R$ 6 milhões em auxílios destinados a esses funcionários.
Considerando efetivos, deputados, aposentados, pensionistas e demais despesas com pessoal, o gasto total da Alego chegou a R$ 59 milhões no mês.
Em abril, a Assembleia contabilizava 5.874 comissionados. Em apenas um mês, foram criados 133 novos cargos preenchidos.
O aumento no número de comissionados começou após Bruno Peixoto assumir a presidência da Assembleia. Durante sua gestão, o limite de servidores por gabinete passou de 58 para 95 e, posteriormente, foi ampliado para 120.
Segundo o diretor financeiro da Alego, Edilson Bezerra da Silva, o crescimento do quadro não representa aumento proporcional da despesa, já que os deputados podem optar por contratar mais servidores com remunerações menores, mantendo o mesmo teto orçamentário dos gabinetes.
Ele também afirma que parte da ampliação ocorreu para atender ao aumento de ações itinerantes da Assembleia, como o programa "Deputados Aqui", que passou a realizar até quatro edições por semana em diferentes municípios goianos.
De acordo com o diretor, essas atividades ampliaram a presença da Assembleia no interior do estado e exigiram reforço nas equipes administrativas. Ainda segundo ele, a folha de pagamento da Alego permanece abaixo dos limites previstos na legislação e ocupa a 14ª posição entre as assembleias legislativas do país em volume de despesas com pessoal.