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Lula sobre crise no STF: ‘Ninguém pode usar cargo em benefício pessoal’

Presidente cobra transparência de Fachin e Gonet diante das acusações envolvendo o caso Master e diz que instituições precisam dar resposta à sociedade

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
04/09/2026 às 18h17
Lula sobre crise no STF: ‘Ninguém pode usar cargo em benefício pessoal’
Foto: Reprodução

O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (4) que “ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal”. A declaração foi feita no Palácio do Planalto, durante cerimônia com a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Sem mencionar diretamente os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça ou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Lula relacionou a fala ao momento de pressão enfrentado pelo STF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O presidente cobrou transparência na apuração dos fatos e disse que as instituições precisam transmitir “tranquilidade” à população.

“Quando os filhos, dentro de casa, estão em desordem, quem manda na casa é quem resolve. Então, meu caro [Fachin], tá nas tuas costas e do Gonet passar um mínimo de tranquilidade, sem tentar esconder absolutamente nada”, afirmou.

‘A legislação vale para todos’

Lula disse estar preocupado com a preservação da confiança da sociedade nas instituições responsáveis pelo funcionamento da democracia.

“Se não tiver instituições sólidas e funcionando, a democracia estará muito vulnerável”, afirmou.

Na sequência, declarou que nenhuma pessoa deve utilizar uma função pública em benefício próprio.

“Ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Isso vale pro presidente, pra um catador de material reciclável, pra uma parteira e pra uma médica. Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites da legislação. Afinal de contas, ela vale para todos”, disse.

O presidente também voltou a defender uma discussão sobre uma nova reforma do Poder Judiciário e afirmou que o tema deverá ser debatido de maneira mais aprofundada no próximo ano.

Lula critica vazamentos seletivos

Durante o discurso, Lula também criticou o que classificou como “vazamentos seletivos” motivados por interesses políticos ou econômicos.

“O que nós não podemos nesse país é oficializar a indústria da fake news, dos vazamentos seletivos por interesse político ou econômico”, declarou.

A fala ocorre também em meio às investigações que citam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, em apuração sobre suposto tráfico de influência relacionada às fraudes nos descontos de benefícios do INSS.

Lula não mencionou diretamente o filho durante o discurso.

Caso Master pressiona STF

As declarações acontecem em meio ao aumento da tensão no Supremo após a divulgação de relatórios da Polícia Federal relacionados ao Banco Master.

Um dos documentos, cujo sigilo foi retirado por André Mendonça, reúne registros de contatos entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O material também contém referências a Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

As investigações analisam, entre outros pontos, a relação de Vorcaro com autoridades e contratos relacionados ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes.

Parte das conclusões apresentadas nos relatórios corresponde a linhas de investigação e interpretações da Polícia Federal e ainda está sob análise das autoridades competentes.

A PGR questionou a validade de parte do material e pediu o arquivamento de um dos relatórios, argumentando que determinadas diligências não foram previamente solicitadas pelo Ministério Público ou pela própria Polícia Federal.

Fachin promete resposta ‘firme’

Antes do discurso de Lula, Fachin afirmou que o Supremo dará uma resposta “firme, proporcional e rigorosa” aos fatos envolvendo integrantes da Corte.

O ministro também declarou que “nenhuma autoridade está acima da Constituição” e defendeu o encerramento do inquérito das fake news.

Nesta sexta-feira, Fachin retirou do inquérito das fake news o pedido apresentado por Moraes para investigar Mendonça. As acusações dos dois lados passaram a integrar um procedimento próprio, sob responsabilidade do presidente do STF.

Fachin ainda concedeu prazo para que a PGR e Mendonça se manifestem sobre as acusações apresentadas por Moraes.

Gonet, por sua vez, fez um discurso breve durante a cerimônia e não abordou diretamente a crise. O procurador-geral concentrou sua manifestação nos projetos sancionados pelo presidente relacionados ao funcionamento do sistema de Justiça.

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