
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na quarta-feira (9) que não aceitará interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e declarou que espera que “o tribunal eleitoral” não tente cometer “falcatrua”. A fala ocorreu durante um ato de campanha em Teresina, no Piauí.
Lula não explicou a qual órgão da Justiça Eleitoral se referia e não apresentou evidências de tentativa de fraude eleitoral. Também não ficou claro, no discurso, se a referência era especificamente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Durante o discurso, Lula também fez críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e voltou a defender que o processo eleitoral brasileiro deve ser decidido exclusivamente no país.
“O Trump que se meta no país dele, aqui é problema nosso, dos brasileiros e ninguém tasca”, afirmou.
O presidente acrescentou que qualquer país que tentar interferir no processo eleitoral brasileiro enfrentará resistência.
“Isso a gente ensina para qualquer país que quiser se meter em nosso processo eleitoral. Essa eleição, o que está em jogo é se a gente vai continuar avançando ou retroceder”, disse.
As declarações foram feitas em um evento de campanha, portanto dentro do contexto da disputa eleitoral.
O tema já havia sido discutido diretamente entre os presidentes brasileiro e americano.
No fim de agosto, Lula e Trump conversaram por telefone durante cerca de 1h20. O contato ocorreu após um pedido do presidente brasileiro.
Segundo relato feito posteriormente por Lula, Trump perguntou sobre as eleições brasileiras de outubro. O petista afirmou ter respondido que o Brasil não aceita ingerência estrangeira no processo eleitoral.
A declaração no Piauí retoma esse discurso, agora acompanhada de uma crítica ao que Lula chamou genericamente de “tribunal eleitoral”.
Até o momento, a fala do presidente não veio acompanhada de indicação de episódio concreto que demonstre tentativa dos Estados Unidos ou da Justiça Eleitoral de interferir irregularmente na eleição.