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Petróleo dispara 6% e fecha acima de US$ 107, maior nível desde maio

Brent já acumula alta superior a 49% desde o início de julho em meio à guerra no Oriente Médio e às restrições no Estreito de Ormuz

Redação
Por: Redação
10/09/2026 às 18h00
Petróleo dispara 6% e fecha acima de US$ 107, maior nível desde maio
Foto: Reprodução

O petróleo voltou a disparar nesta quinta-feira (10) com o aumento das tensões no Oriente Médio. O barril do Brent, referência internacional, subiu 6,3% e fechou cotado a US$ 107,63, depois de superar US$ 108 durante o pregão. É o maior nível registrado desde maio.

A valorização ganhou força desde o início de julho, quando o Brent era negociado abaixo de US$ 72. Desde então, a alta acumulada supera 49%, impulsionada principalmente pelo temor de redução da oferta mundial.

No centro das preocupações está o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o mercado de energia. A guerra entre Estados Unidos e Irã tem afetado o fluxo de petróleo pela região, aumentando a percepção de risco entre investidores.

Quanto maior a possibilidade de interrupção ou redução das exportações, maior tende a ser a pressão sobre as cotações internacionais.

Petróleo caro aumenta pressão sobre combustíveis

A disparada também preocupa o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A alta do petróleo pode encarecer gasolina, diesel, transporte e diferentes etapas das cadeias produtivas, aumentando a pressão sobre a inflação americana.

O movimento ocorre a cerca de dois meses das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro e que definirão a composição do Congresso dos Estados Unidos.

Na quarta-feira (9), Trump afirmou que os preços do petróleo provavelmente não devem cair antes das eleições.

Brasil adota medidas para conter alta

No Brasil, o governo federal também anunciou medidas para reduzir o impacto da escalada do petróleo sobre os combustíveis.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou na quarta-feira um decreto que amplia para R$ 0,63 por litro a redução de tributos federais sobre a gasolina. Para o etanol hidratado, PIS/Pasep e Cofins foram zerados, em uma desoneração equivalente a R$ 0,19 por litro.

O governo também autorizou uma nova subvenção de R$ 1 por litro para o diesel. Até 26 de setembro, o benefício será somado ao subsídio de R$ 1,12 que já estava em vigor, levando a subvenção total temporariamente a R$ 2,12 por litro.

Petrobras encerra desconto na gasolina

Nesta quinta-feira, a Petrobras informou que deixará de conceder o desconto de R$ 0,44 por litro que vinha aplicando sobre a gasolina A vendida às distribuidoras.

Com a mudança, o preço médio de venda da gasolina A pela estatal passa para R$ 3,05 por litro. Segundo a Petrobras, depois de considerados os tributos federais, o efeito líquido será uma redução de R$ 0,19 por litro.

Isso significa que a redução tributária anunciada pelo governo não será integralmente refletida no preço de venda da Petrobras.

O valor efetivamente pago pelo consumidor nos postos ainda depende de outros componentes, como mistura de etanol, impostos estaduais, margens de distribuição e revenda.

Segundo os dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referentes ao período entre 30 de agosto e 5 de setembro, a gasolina custava em média R$ 6,51 por litro no país. O diesel S-10 estava em R$ 6,88, enquanto o etanol hidratado era vendido, em média, por R$ 3,95.

A evolução dos preços internacionais e a situação do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz devem continuar no centro das atenções do mercado e dos governos nas próximas semanas.

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