
Colocar Max Verstappen contra 100 pilotos de kart, fazê-lo largar na última posição e ainda oferecer vantagens aos adversários parecia uma maneira razoável de dificultar a vida do tetracampeão mundial de Fórmula 1.
Parecia.
No desafio “Max vs 100”, realizado em Silverstone, na Inglaterra, o holandês saiu da 101ª posição com a missão de ultrapassar todos os competidores.
O regulamento previa tempo suficiente para uma longa perseguição.
Verstappen, porém, precisou de apenas 35 minutos para transformar o desafio em mais uma demonstração de velocidade.
E nem precisou utilizar uma das principais vantagens que o regulamento havia reservado para ele.
A dinâmica era simples.
Max começaria atrás de 100 adversários e, cada vez que ultrapassasse um deles, aquele competidor estaria eliminado.
Para aumentar o grau de dificuldade, os rivais tinham acesso, durante a primeira metade da disputa, a um atalho chamado de “volta rápida”, que permitia ganhar distância em relação ao piloto da Red Bull.
Na segunda metade, o benefício passaria a ficar disponível exclusivamente para Verstappen.
O problema?
Quando chegou o momento em que poderia utilizá-lo, praticamente não havia mais desafio.
Verstappen começou a corrida como se estivesse disputando uma prova de videogame.
Em apenas uma volta, saltou da 101ª para a 37ª colocação.
Foram 64 posições recuperadas.
Na quarta volta, já aparecia em 18º.
Na oitava, estava entre os cinco primeiros, aproximadamente 12 segundos atrás do líder.
Três voltas depois, ocupava a quarta posição.
A diferença que parecia enorme no início desaparecia a cada passagem.
A perseguição terminou muito antes do esperado.
Verstappen alcançou a liderança e completou a missão após aproximadamente 35 minutos de disputa, eliminando todos os 100 adversários.
O desafio havia sido estruturado para permitir uma prova consideravelmente mais longa, mas o ritmo do tetracampeão tornou boa parte do formato desnecessária.
O atalho que deveria ajudá-lo na segunda metade?
Não precisou.
Verstappen chegou ao primeiro colocado antes que o recurso pudesse desempenhar qualquer papel relevante na disputa.
A facilidade demonstrada pelo holandês também resgata uma parte importante de sua formação.
Assim como praticamente todos os grandes nomes do automobilismo, Verstappen construiu boa parte de sua técnica competindo no kart antes de chegar aos monopostos.
Mesmo depois de alcançar o topo da Fórmula 1, o tetracampeão continua demonstrando uma ligação forte com outras formas de automobilismo e com competições virtuais.
O evento em Silverstone colocou essa experiência novamente à prova.
Sem o carro da Red Bull, sem aerodinâmica de Fórmula 1 e cercado por uma centena de adversários, o resultado continuou parecido.
Max encontrou uma maneira de chegar à frente.
Naturalmente, “Max vs 100” não pode ser comparado diretamente a uma corrida profissional de kart ou a um Grande Prêmio de Fórmula 1.
O evento possuía regras próprias e foi construído como um desafio especial.
Mas os números ainda impressionam.
Largar em 101º.
Ganhar 64 posições em uma volta.
Chegar ao top 5 em oito.
E eliminar 100 adversários em aproximadamente 35 minutos.
No final, a pergunta talvez não seja se o desafio era difícil o suficiente.
Talvez seja descobrir o que precisava ser feito para realmente dificultar uma corrida para Max Verstappen.