22°C 37°C
Goiânia, GO

Entenda vazamento que expôs 58 mil câmeras em São Paulo

Dados do Smart Sampa ficaram acessíveis na internet por 11 meses; prefeitura afastou servidor e especialista alerta para riscos de sequestros e outros crimes

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
21/10/2026 às 14h06
Entenda vazamento que expôs 58 mil câmeras em São Paulo
Foto: Reprodução

Um vazamento de informações sigilosas do Smart Sampa, sistema de monitoramento da Prefeitura de São Paulo, permitiu o acesso indevido a imagens de mais de 58 mil câmeras espalhadas pela capital paulista. O caso foi revelado pelo UOL na terça-feira (20) e envolve dados que ficaram expostos na internet por aproximadamente 11 meses. A administração municipal afastou um servidor suspeito de divulgar as informações e abriu uma investigação interna.

O sistema, utilizado pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), reúne câmeras de segurança instaladas em ruas, escolas, creches, hospitais e outros espaços públicos. Com tecnologia de inteligência artificial e reconhecimento facial, a plataforma permite identificar pessoas procuradas pela Justiça, localizar desaparecidos e monitorar veículos com restrições.

Como aconteceu o vazamento?

A exposição começou meses antes de o caso se tornar público. Segundo a investigação jornalística, informações restritas foram disponibilizadas em um repositório na internet, incluindo 181 logins e senhas de usuários autorizados e dados de mais de 6 mil agentes de segurança.

Com essas informações, a reportagem conseguiu acessar imagens em tempo real de equipamentos conectados ao Smart Sampa, incluindo câmeras de unidades de saúde, instituições de ensino e vias públicas. O episódio levantou questionamentos sobre os mecanismos de proteção de um sistema que monitora diariamente a circulação de milhões de pessoas.

Após ser procurada pela imprensa, a prefeitura retirou o repositório do ar e informou ter reforçado os procedimentos de segurança, incluindo o uso de senhas exclusivas e autenticação em dois fatores.

Prefeitura afasta servidor e nega falha no sistema

A gestão Ricardo Nunes atribuiu o vazamento à conduta de um integrante da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que foi afastado e passou a ser investigado pela corregedoria da instituição.

A administração municipal sustenta que o episódio foi provocado por uma ação individual e nega a existência de vulnerabilidades na plataforma. Também afirma não ter identificado utilização indevida do sistema.

O prefeito declarou que a gestão já tinha conhecimento da exposição e monitorava o servidor suspeito para identificar possíveis acessos irregulares.

O Ministério Público de São Paulo também recebeu informações sobre o caso e instaurou uma Notícia de Fato, procedimento preliminar para avaliar a necessidade de abertura de um inquérito civil.

Especialista alerta para riscos de sequestros e atentados

O professor de segurança pública da Fundação Getulio Vargas (FGV), Rafael Alcadipani, avalia que o acesso não autorizado às imagens pode representar uma ameaça à segurança da população e das autoridades.

Segundo ele, criminosos poderiam utilizar as informações para acompanhar a rotina de possíveis vítimas, descobrir a localização de viaturas policiais ou identificar deslocamentos de autoridades. Esses cenários são riscos apontados pelo especialista, e não crimes comprovadamente relacionados ao vazamento.

Alcadipani também questiona a eficácia dos controles internos, já que a exposição foi revelada pela imprensa. Para o professor, é necessário realizar uma auditoria independente, identificar quem acessou os dados e restringir as permissões de consulta às imagens.

Sistema já teve eficácia questionada

Inaugurado em 2024, o Smart Sampa representa um investimento de aproximadamente R$ 10 milhões mensais. Segundo a prefeitura, a tecnologia já contribuiu para a captura de 3.628 foragidos da Justiça e a localização de 284 pessoas desaparecidas.

Apesar dos resultados divulgados pela administração municipal, um estudo do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), publicado em 2025, não identificou redução estatisticamente significativa nos índices de roubos, furtos e homicídios após a implantação do programa.

A pesquisa também apontou problemas relacionados a identificações equivocadas pelo reconhecimento facial. A prefeitura contestou a metodologia utilizada e afirmou que o levantamento não considerou adequadamente as diferenças entre os municípios comparados.

Modelo inspirou proposta de Flávio Bolsonaro

O Smart Sampa também serviu de referência para o Smart Brasil, projeto apresentado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A proposta prevê a instalação de mais de 1 milhão de câmeras em todo o território nacional, integradas a bancos de dados de segurança pública.

O plano pretende ampliar o uso de reconhecimento facial e monitoramento de veículos por meio de parcerias com estados e municípios.

Com a divulgação do vazamento, a segurança dessas plataformas voltou ao centro das discussões. A investigação deverá esclarecer a extensão da exposição, identificar eventuais acessos não autorizados e avaliar se os mecanismos de proteção são suficientes para impedir novos incidentes.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Goiânia, GO
34°
Tempo limpo
Mín. 22° Máx. 37°
34° Sensação
9.25 km/h Vento
34% Umidade
95% (1.45mm) Chance chuva
05h44 Nascer do sol
18h18 Pôr do sol
Quinta
36° 23°
Sexta
37° 23°
Sábado
35° 22°
Domingo
36° 23°
Segunda
29° 21°
Economia
Dólar
R$ 5,03 +0,19%
Euro
R$ 5,66 +0,12%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 452,357,60 +2,34%
Ibovespa
206,627,27 pts -0.8%
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade