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Trump quer retirar jornalistas da Casa Branca

Presidente dos Estados Unidos pressiona por transferência da imprensa para um prédio vizinho; proposta ocorre em meio a disputas sobre o acesso de veículos de comunicação ao governo

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
22/10/2026 às 17h00
Trump quer retirar jornalistas da Casa Branca
Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado integrantes de seu governo para retirar jornalistas da Sala de Imprensa James S. Brady, localizada na Casa Branca, e transferi-los para outro edifício. Segundo reportagem do jornal The New York Times, publicada na terça-feira (20), a proposta foi apresentada diversas vezes a assessores próximos, mas ainda não existe uma decisão oficial sobre a mudança.

De acordo com o jornal, Trump discutiu a ideia com Karoline Leavitt, então secretária de imprensa da Casa Branca, durante uma reunião no Salão Oval, em agosto. O presidente teria pedido que a transferência fosse realizada antes de sua saída do cargo, em 27 daquele mês. A proposta, entretanto, não avançou naquele período.

O destino mais provável dos jornalistas seria o Edifício Executivo Eisenhower, localizado ao lado da Ala Oeste da Casa Branca. Embora o prédio faça parte do complexo presidencial, a mudança retiraria os profissionais da área onde atualmente acompanham as atividades do governo e participam das coletivas de imprensa.

Proposta de retirar imprensa não é nova

A possibilidade de transferir os jornalistas da Casa Branca já havia sido discutida durante o primeiro mandato de Trump. Em 2016, ainda na transição presidencial, o então estrategista Stephen Bannon sugeriu retirar os profissionais da Ala Oeste e instalá-los em outro espaço nas proximidades.

Em janeiro de 2017, Reince Priebus, que assumiria a chefia de gabinete, confirmou que o governo estudava utilizar o Edifício Eisenhower para realizar as coletivas. Na época, a justificativa era oferecer uma estrutura maior para acomodar os profissionais de imprensa. A ideia acabou abandonada.

A proposta voltou a ser considerada no fim de 2024, durante a preparação para o segundo mandato de Trump, mas novamente encontrou resistência entre integrantes do governo.

A atual sala de imprensa foi construída durante a administração de Richard Nixon, na década de 1970, sobre uma antiga piscina instalada durante o governo de Franklin D. Roosevelt. Trump também já demonstrou interesse em recuperar o espaço para essa finalidade.

A permanência dos jornalistas na Ala Oeste é considerada um elemento importante da cobertura política norte-americana, pois permite acompanhar de perto as decisões da Presidência e questionar diretamente representantes do governo.

Governo Trump amplia confronto com veículos de comunicação

A discussão sobre a transferência ocorre em meio a uma série de disputas entre Trump e organizações jornalísticas.

Nos últimos meses, o presidente apresentou ações judiciais contra veículos de comunicação e restringiu o acesso de determinados jornalistas à Casa Branca. Em setembro, o governo anunciou medidas contra profissionais ligados à CNN, MS NOW e Politico, acusando essas empresas de divulgar informações falsas.

As restrições foram contestadas judicialmente. O juiz federal Timothy Kelly determinou a restauração de credenciais de imprensa ao considerar que as medidas violavam garantias previstas na Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão e de imprensa. O governo recorreu.

Outra frente de conflito envolve uma investigação do Departamento de Justiça sobre possíveis práticas anticoncorrenciais entre emissoras de televisão. Em outubro, autoridades solicitaram informações de cinco grandes redes norte-americanas após uma suspensão temporária da cobertura conjunta da Casa Branca.

Transferência ainda não foi confirmada

Apesar das discussões internas, não há anúncio oficial de que os jornalistas serão retirados da atual sala de imprensa.

Procurado após a divulgação da reportagem, o diretor de Comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, criticou a cobertura dos veículos de comunicação e afirmou que todas as possibilidades continuam sendo consideradas.

A eventual transferência não impediria necessariamente os jornalistas de acompanhar atividades oficiais, mas poderia modificar as condições de acesso à Presidência e a rotina de cobertura do governo.

A proposta também reacende o debate sobre a relação entre o Poder Executivo e a imprensa nos Estados Unidos, especialmente diante das restrições recentes impostas a profissionais e veículos jornalísticos.

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