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Israel vai às urnas em eleição que pode tirar Netanyahu do poder

Cerca de 7,3 milhões de eleitores escolhem o novo Parlamento nesta terça-feira (27); disputa ocorre após as guerras em Gaza e contra o Irã, com pesquisas indicando dificuldades para a formação de uma maioria

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
27/10/2026 às 15h47
Israel vai às urnas em eleição que pode tirar Netanyahu do poder
Foto: Reprodução

Os israelenses foram às urnas nesta terça-feira (27) para uma eleição parlamentar que poderá definir a permanência de Benjamin Netanyahu no comando do país. O primeiro-ministro enfrenta uma disputa acirrada com a oposição liderada por Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel. A votação ocorre em meio às consequências dos conflitos na Faixa de Gaza e com o Irã, além de profundas divisões políticas internas.

Segundo o Comitê Central Eleitoral de Israel, aproximadamente 7,3 milhões de pessoas estão aptas a votar, incluindo cerca de 330 mil eleitores que participam de uma eleição nacional pela primeira vez. As seções eleitorais abriram às 7h desta terça-feira, no horário local, e a maioria funcionará até as 22h, o equivalente às 17h em Brasília.

Esta é a primeira eleição parlamentar israelense desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que deram início à guerra em Gaza. Desde então, o país também enfrentou confrontos com o Hezbollah, no Líbano, e uma guerra contra o Irã.

Netanyahu enfrenta oposição liderada por ex-chefe militar

Netanyahu, de 77 anos, é o primeiro-ministro que permaneceu por mais tempo no poder na história de Israel. Líder do partido conservador Likud, ele busca manter sua coalizão com partidos religiosos e de extrema direita.

Seu principal adversário é Gadi Eisenkot, ex-comandante das Forças Armadas e líder do partido centrista Yashar. O político defende mudanças na condução do governo e reúne apoio de setores do centro e da direita que se opõem à continuidade de Netanyahu.

As pesquisas divulgadas antes da votação apontavam uma disputa equilibrada entre os principais grupos políticos, sem garantia de maioria parlamentar para nenhum dos lados.

Levantamentos publicados em outubro indicavam que o Yashar poderia conquistar cerca de 22 cadeiras, enquanto o Likud aparecia próximo de 20. Entretanto, o resultado de cada partido não será suficiente, isoladamente, para determinar quem comandará o próximo governo.

Outras lideranças, como o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e o político Yair Lapid, também participam das articulações da oposição.

Como funciona a eleição em Israel?

Diferentemente do Brasil, Israel não realiza uma eleição direta para primeiro-ministro. Os eleitores votam em partidos que disputam as 120 cadeiras do Parlamento, conhecido como Knesset.

As vagas são distribuídas proporcionalmente à votação recebida pelas legendas, desde que atinjam o percentual mínimo exigido para obter representação parlamentar.

Para formar um governo, é necessário reunir o apoio de pelo menos 61 dos 120 deputados.

Isso significa que o partido mais votado não necessariamente assumirá o comando do país. Após a divulgação dos resultados, os líderes partidários deverão negociar alianças capazes de formar uma maioria.

Caso nenhum grupo consiga reunir os votos necessários, a formação do governo poderá levar semanas ou até meses, e o país poderá enfrentar um novo período de instabilidade política.

Guerras em Gaza e contra o Irã marcam disputa

A votação acontece em um cenário de forte desgaste político provocado pelos conflitos militares dos últimos três anos.

Desde os ataques de outubro de 2023, a condução da guerra na Faixa de Gaza se tornou um dos principais temas da política israelense.

As decisões do governo Netanyahu foram alvo de críticas internas e internacionais, especialmente em relação à segurança nacional, à situação humanitária dos palestinos e às consequências das operações militares.

O conflito com o Irã também ampliou as preocupações dos eleitores sobre a segurança do país e o risco de novos confrontos no Oriente Médio.

Outro assunto importante da campanha é a participação de judeus ultraortodoxos no serviço militar. Netanyahu defende a manutenção de determinadas isenções, enquanto Eisenkot propõe ampliar a obrigação de servir às Forças Armadas.

As divergências sobre segurança, religião e participação militar aprofundaram as divisões entre os grupos políticos israelenses.

Resultado poderá mudar relações internacionais

A eleição também é acompanhada por governos estrangeiros devido ao papel de Israel nos conflitos do Oriente Médio.

Netanyahu enfrenta críticas internacionais relacionadas à condução da guerra em Gaza e às consequências humanitárias das operações militares.

Ao mesmo tempo, mantém apoio de setores conservadores e do presidente norte-americano Donald Trump, que manifestou preferência por sua continuidade no governo.

Uma eventual mudança de liderança poderá influenciar a condução das negociações regionais, as relações com os Estados Unidos e a posição israelense sobre os territórios palestinos.

Entretanto, mesmo uma vitória expressiva da oposição não garante mudanças imediatas, já que as decisões dependerão da composição da futura coalizão.

Quando sai o resultado das eleições?

A maioria das seções eleitorais fechará às 22h em Israel, 17h no horário de Brasília, quando deverão ser divulgadas as primeiras pesquisas de boca de urna.

A contagem dos votos será realizada após o encerramento da votação, e os resultados oficiais serão divulgados progressivamente pelas autoridades eleitorais.

A definição do próximo primeiro-ministro poderá depender das negociações entre os partidos, mesmo depois da conclusão da apuração.

Mais do que escolher os integrantes do Parlamento, os israelenses decidirão a composição política que determinará a continuidade ou a substituição do governo Netanyahu, em um momento de desafios para a segurança, a economia e as relações internacionais do país.

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