
Uma brincadeira envolvendo Kylian Mbappé se transformou em uma crise de imagem com consequências comerciais na China. O atacante do Real Madrid e da seleção francesa passou a enfrentar críticas após comentar um meme que associava sua imagem à de Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China.
Nesta quarta-feira (28), o jornal chinês Global Times, ligado ao grupo de comunicação do jornal oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um editorial condenando a postura do jogador e defendendo que celebridades internacionais respeitem as sensibilidades culturais e políticas do país.
A repercussão já provocou o rompimento de contratos comerciais e levou Mbappé a se desculpar publicamente.

O episódio teve origem em um podcast francês, no qual Mbappé comentou uma montagem que colocava seu rosto sobre uma imagem de Mao Tsé-Tung.
Ao observar o meme, o atacante se referiu à figura como alguém que acreditava ser um ditador chinês.
O vídeo foi posteriormente retirado do ar, mas o trecho já havia se espalhado pelas redes sociais.
A brincadeira faz referência a um apelido utilizado por parte da imprensa europeia e por torcedores, que chamam Mbappé de “ditador” em memes sobre sua suposta influência nas decisões dos clubes em que atua.
Na China, porém, a referência a Mao provocou forte reação negativa.
No editorial publicado nesta quarta-feira, o Global Times afirmou que o sucesso esportivo não isenta figuras públicas de responsabilidades sobre suas declarações.
O periódico argumentou que atletas internacionais que mantêm relações comerciais com empresas chinesas precisam compreender as sensibilidades culturais e históricas do país.
O texto também defendeu que patrocinadores estabeleçam regras mais claras sobre a conduta pública de seus representantes.
A publicação apresentou o episódio como um alerta a celebridades estrangeiras que desejam manter negócios no mercado chinês.
As consequências ultrapassaram as críticas nas redes sociais.
Segundo as informações divulgadas, empresas como Mengniu Dairy, Shanghai Milkground e Eastroc, do setor de alimentos e bebidas, encerraram parcerias comerciais com Mbappé.
A emissora estatal CCTV também retirou publicidade relacionada ao jogador, enquanto plataformas digitais chinesas restringiram o acesso a suas contas.
As medidas evidenciam o impacto que controvérsias envolvendo temas políticos e históricos podem provocar nas relações comerciais de atletas com marcas internacionais.
Na terça-feira (27), o atacante publicou um pedido de desculpas, reconhecendo que seu comentário foi imprudente e que havia provocado descontentamento entre chineses.
Apesar da retratação, o Global Times manteve as críticas e ressaltou que o respeito às sensibilidades nacionais deve ser considerado por personalidades que possuem negócios no país.
A situação de Mbappé não é inédita.
Marcas internacionais como Dolce & Gabbana, Versace, Nike, Adidas e H&M já enfrentaram boicotes e controvérsias no mercado chinês.
A NBA também passou por uma crise comercial após uma manifestação de apoio aos protestos pró-democracia em Hong Kong feita por um dirigente do Houston Rockets.
Esses episódios, embora tenham contextos diferentes, demonstram como declarações públicas podem provocar reações políticas, culturais e comerciais.
No caso de Mbappé, uma montagem humorística acabou se tornando uma crise internacional que envolve futebol, história, liberdade de expressão e os limites das relações comerciais com a China.