
Um protesto contra o governo espanhol terminou em confrontos entre manifestantes e policiais em Madri, na noite de quarta-feira (28), horas após um grave acidente ferroviário deixar pelo menos 68 mortos na região de Toledo. A manifestação ocorreu em frente ao Ministério dos Transportes, onde participantes exigiram a responsabilização das autoridades pela tragédia.
A mobilização foi convocada por grupos de extrema-direita. Segundo a agência espanhola EFE, mais de mil pessoas participaram do ato, que começou com críticas ao governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez e pedidos de renúncia do ministro dos Transportes, Óscar Puente.
A tensão aumentou quando alguns manifestantes se aproximaram do bloqueio policial e lançaram garrafas, sinalizadores e outros objetos contra os agentes. Policiais de choque reagiram com gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha para dispersar a multidão.
De acordo com as informações divulgadas inicialmente pelas autoridades, não houve registro de feridos ou detenções durante os confrontos.
O protesto ocorreu após a colisão entre dois trens de alta velocidade nas proximidades de Urda, na província de Toledo, ao sul de Madri.
O acidente aconteceu por volta das 9h de quarta-feira, no horário local, quando um trem operado pela empresa Renfe atingiu uma composição da Iryo que estava parada na ferrovia.
O impacto provocou a destruição de vagões e deixou dezenas de passageiros feridos. Equipes de emergência trabalharam durante o dia no resgate das vítimas e na busca por pessoas entre os destroços.
Segundo as autoridades espanholas, pelo menos 68 pessoas morreram. O número ainda poderia aumentar conforme o andamento dos trabalhos de resgate.
A colisão é considerada o acidente ferroviário mais letal registrado na Europa desde 2013, quando um descarrilamento em Santiago de Compostela, também na Espanha, deixou 80 mortos.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez lamentou as mortes e afirmou que o acidente será investigado para identificar eventuais falhas na operação ferroviária.
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, informou que uma falha de comunicação no sistema de controle teria provocado a interrupção do tráfego ferroviário.
Segundo as informações preliminares, um dos trens teria recebido autorização para continuar a viagem apesar da existência de um sinal vermelho e da presença de outra composição parada à frente.
As circunstâncias que levaram à liberação do trem ainda são investigadas, e não há conclusão definitiva sobre as responsabilidades pelo acidente.
A tragédia também ampliou os questionamentos sobre a segurança ferroviária espanhola.
Em janeiro deste ano, outra colisão envolvendo trens de alta velocidade deixou 46 mortos no país. Os acidentes aconteceram na mesma linha ferroviária, mas o governo espanhol afirmou que as causas aparentam ser diferentes.
Os protestos ocorreram em um momento de tensão política na Espanha, que se prepara para eleições antecipadas previstas para novembro.
Durante a manifestação em Madri, participantes responsabilizaram o governo pela tragédia e exigiram a saída de autoridades responsáveis pela infraestrutura ferroviária.
A oposição também cobrou explicações sobre as condições de segurança e manutenção da rede de transporte.
O governo, por sua vez, prometeu uma investigação completa e medidas para corrigir eventuais problemas identificados.
Enquanto as autoridades apuram as causas do acidente, a colisão e os confrontos em Madri aumentam a pressão sobre o governo espanhol, que enfrenta questionamentos sobre a segurança dos trens de alta velocidade e a fiscalização do sistema ferroviário.