
A escritora e artista goiana Juliana Cajives conquistou o Prêmio Jabuti 2026 com o livro “História a que ninguém deu nome”, na categoria Escritor Estreante – Poesia. A obra, publicada em 2025 pela Mormaço Editorial, de Salvador, na Bahia, reúne poemas e ilustrações que abordam temas como morte, aborto, violência obstétrica e maternidade. O reconhecimento foi anunciado em cerimônia realizada no dia 27 de outubro, em São Paulo.
Juliana disputou o prêmio com outros quatro finalistas: Camila Paoletti, Kalu Coelho, Ivana Fontes e George França. Antes de chegar à etapa final, a autora havia sido selecionada entre dez semifinalistas da categoria.
O livro possui mais de 80 páginas e apresenta uma combinação de poesia e artes visuais. Além dos textos, a própria Juliana produziu as ilustrações da capa e das páginas internas, estabelecendo um diálogo entre as diferentes formas de expressão artística.
Em “História a que ninguém deu nome”, Juliana Cajives utiliza a poesia para explorar experiências relacionadas ao corpo, à maternidade e às perdas.
A obra apresenta reflexões sobre temas delicados, incluindo aborto, violência obstétrica e morte, por meio de uma linguagem que combina elementos poéticos e visuais.
O projeto também reflete a trajetória multidisciplinar da autora, que transita entre literatura, teatro, cinema e artes plásticas.
Para Juliana, o reconhecimento no Prêmio Jabuti representa uma oportunidade de ampliar o alcance da obra e estabelecer novas conexões com os leitores.

Juliana Cajives nasceu em Goiânia, em 1992, mas cresceu em Palmas, capital do Tocantins. Foi durante a juventude que começou a desenvolver seu interesse pela produção cultural, experimentando diferentes linguagens artísticas.
Na cidade, teve contato com o teatro, as artes visuais e a escrita literária. Segundo a autora, a experiência teatral foi fundamental para o desenvolvimento de sua linguagem, que mais tarde passou a explorar por meio da poesia e da prosa em blogs e sites.
Atualmente, Juliana vive em Salvador, onde ampliou sua atuação no cinema e nas artes visuais.
Em 2021, lançou seu primeiro filme, o curta-metragem “Beldade”. Também participou da produção de outros trabalhos audiovisuais, como “Xanatopia” (2019), “A sete tragos do chão” (2019) e “Camaleoa” (2023).
Na capital baiana, a artista também desenvolveu trabalhos em artes visuais e chegou a expor no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).
A experiência em diferentes áreas culturais contribuiu para a construção de uma identidade artística que reúne escrita, imagem e expressão cênica.
O Prêmio Jabuti é uma das principais premiações literárias do Brasil, organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL).
A edição de 2026 foi a 68ª da premiação e reconheceu obras em diferentes categorias de literatura, não ficção, produção editorial e inovação.
Na categoria Escritor Estreante – Poesia, o objetivo é reconhecer novos autores e incentivar a publicação de obras poéticas.

A conquista de Juliana Cajives ocorreu em uma disputa com outros quatro livros finalistas, selecionados após etapas de avaliação realizadas ao longo do ano.
Com a vitória, Juliana Cajives leva o nome de Goiás a uma das mais importantes premiações da literatura brasileira. O reconhecimento de seu primeiro livro de poesia também amplia a visibilidade de uma trajetória artística construída entre Goiânia, Palmas e Salvador, marcada pela experimentação de diferentes linguagens e pela abordagem de temas ligados às experiências humanas.