
A expectativa de que o “shutdown” nos Estados Unidos — a paralisação do governo federal que já dura 41 dias — esteja perto do fim fez o dólar cair abaixo de R$ 5,30 nesta terça-feira (11) e impulsionou a Bolsa brasileira a um novo recorde histórico, com o Ibovespa superando 157,6 mil pontos.
Por volta das 15h, o dólar recuava 0,65%, cotado a R$ 5,27, enquanto a Bolsa subia 1,5%, na trilha de ganhos de bancos e da Petrobras — cujas ações avançaram após a notícia de aumento da produção com a nova plataforma P-79 em Búzios.
O movimento foi impulsionado pela aprovação no Senado americano do projeto que restabelece o orçamento federal e suspende as demissões no funcionalismo até janeiro de 2026. O texto segue agora para a Câmara dos Representantes, que deve votá-lo nesta quarta-feira (12) antes da sanção do presidente Donald Trump.
“Com o fim do shutdown, cessam os efeitos negativos da paralisação, especialmente a falta de dados econômicos essenciais. Isso favorece ações, commodities e moedas emergentes, como o real”, explicou Leonel Mattos, analista da StoneX.
No Brasil, a ata do Copom, o Comitê de Política Monetária, reforçou a previsão de manutenção da Selic em 15% até o início de 2026, mas analistas já apostam no início de um ciclo de cortes em janeiro.
A confiança do mercado é reforçada pela inflação abaixo do esperado: o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) subiu apenas 0,09% em outubro, segundo o IBGE, acumulando 4,68% em 12 meses — dentro da meta estabelecida.
“O cenário é benigno e abre espaço para cortes graduais da Selic a partir de janeiro”, avaliou o economista André Valério, do Inter.
Com a reabertura do governo americano e a inflação sob controle no Brasil, o mercado financeiro vive um dia de euforia — com o real valorizado e a Bolsa a caminho de encerrar o ano com novo recorde histórico.