
O governo da Alemanha elogiou nesta terça-feira (18) a “beleza natural impressionante” do Brasil, um dia depois de o primeiro-ministro Friedrich Merz viralizar com uma fala depreciando Belém e sugerindo que jornalistas “ficaram felizes por deixar o país”. A declaração oficial, porém, não comentou diretamente a controvérsia nem respondeu às críticas feitas por políticos paraenses.
Segundo um porta-voz do governo alemão, Merz lamentou não ter tido tempo para “viajar aos limites da Amazônia” e conhecer melhor a região durante sua passagem pela COP30. O premiê esteve em Belém no dia 7 para participar da Cúpula de Líderes da conferência e anunciar uma “contribuição substancial” ao fundo de florestas defendido pelo Brasil — sem especificar valores.
A reação ocorre após o vídeo do discurso de Merz no Congresso Alemão do Comércio viralizar nas redes sociais. Na fala, ele afirma que nenhum jornalista que o acompanhou na COP quis permanecer no Brasil e que todos “ficaram contentes” por voltar à Alemanha.
Questionado pela Folha, o governo alemão destacou apenas o lado diplomático da viagem, afirmando que Merz teve “conversas produtivas e voltadas para o futuro” com o presidente Lula e que guarda uma “pequena impressão da magnitude da paisagem amazônica” após um passeio de barco pelo rio Guajará.
A polêmica, que gerou forte reação no Brasil, não teve a mesma repercussão na Alemanha. A revista Stern destacou que o ministro do Meio Ambiente, Carsten Schneider, que está em Belém desde o sábado (15), vem fazendo elogios enfáticos ao Brasil, em uma tentativa de apagar o desgaste criado pelo chefe.
“Vi uma dedicação incrível, pessoas maravilhosas, mas também muita pobreza”, disse Schneider. Nas redes sociais, reforçou o tom amistoso: “Brasil é um país maravilhoso, com um povo acolhedor e bom anfitrião”.
A disputa ocorre em meio ao momento de baixa popularidade de Merz, que tenta reforçar um discurso de valorização nacional diante do avanço da AfD, partido de extrema direita na Alemanha. No mesmo pronunciamento em que citou o Brasil, o premiê buscava defender que a prosperidade do país deveria ser associada aos valores democráticos.
O porta-voz do governo alemão também enfatizou que o Brasil é “um parceiro estratégico importante”, lembrando que há mais de um milhão de falantes de alemão no país e que os dois governos mantêm cooperação intensa em cultura, educação, economia e ciência.