
O Banco de Brasília (BRB) negou ter sido alvo de bloqueio de bens na Operação Compliance Zero, que investiga o esquema bilionário ligado ao Banco Master e levou à prisão do dono da instituição, Daniel Vorcaro, na segunda-feira (17).
A Justiça Federal esclareceu que o bloqueio de R$ 12,2 bilhões determinado na operação alcança apenas pessoas físicas e empresas investigadas. A Décima Vara Federal chegou a incluir o BRB na medida, mas retificou a decisão e retirou o banco da lista de constrição patrimonial.
Mesmo sem bloqueio, a cúpula do BRB segue sob efeitos da investigação: o presidente Paulo Henrique Costa e o diretor de Finanças, Dario Oswaldo Garcia Júnior, permanecem afastados por ordem judicial.
As apurações da Polícia Federal acontecem em meio ao colapso do Banco Master, acusado de operar títulos de crédito falsos e manter gestão fraudulenta. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, movimento que aciona o maior ressarcimento já registrado no sistema financeiro brasileiro.
O Fundo Garantidor de Créditos estima devolver até R$ 41 bilhões a cerca de 1,6 milhão de credores, com limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo rendimentos até o dia 17. A previsão é que os pedidos de reembolso comecem a ser feitos em aproximadamente 30 dias. Investidores relatam preocupação com a velocidade do processo e a incidência de impostos sobre valores recebidos.
A crise também alcança o setor público: dados do Ministério da Previdência mostram que 18 estados e municípios aplicaram R$ 1,86 bilhão em títulos do Master por meio de regimes próprios de previdência. O Rio de Janeiro concentra quase metade desse montante, com R$ 970 milhões expostos — valores que não são cobertos pelo FGC e dependem da liquidação para possível recuperação.
Na operação deflagrada nesta terça, a PF cumpriu sete mandados de prisão, apreendeu carros de luxo, obras de arte, relógios e bloqueou recursos vinculados aos suspeitos. Para o Banco Central, a derrocada do Master foi causada por uma “grave crise de liquidez” e por “violações graves” às normas do sistema financeiro.
Com novos alvos e impactos que se espalham por investidores privados e gestores públicos, o caso do Banco Master deve seguir no centro das atenções nas próximas semanas, enquanto o FGC estrutura o pagamento histórico e a PF avança nas apurações.