
Duas operações deflagradas nesta semana em Goiás atingiram frentes distintas do Comando Vermelho no Estado. O Gaeco desmontou um esquema milionário de lavagem de dinheiro comandado por um casal foragido, enquanto a Denarc prendeu suspeitos que abasteciam pontos de venda de drogas na capital e no interior.
A Operação Cifra Vermelha, conduzida pelo Ministério Público de Goiás com apoio do Comando de Operações de Divisas, identificou um núcleo financeiro estruturado para movimentar recursos do tráfico por meio de empresas de fachada e contas abertas em nome de familiares — inclusive adolescentes de 12 e 14 anos. O grupo era liderado por Jeiziel de Oliveira Rosa e Ana Paula da Silva Barreto, ambos foragidos.
Ao longo da investigação, iniciada há um ano, os promotores mapearam depósitos fracionados realizados em lotéricas, transações acima do padrão e movimentações que somam quase R$ 30 milhões. Uma única empresa criada no Maranhão, por exemplo, girou R$ 28,7 milhões em dois meses. A operação cumpriu 13 mandados de busca, 7 de prisão e determinou o sequestro de R$ 28 milhões, além da apreensão de veículos e armas.
Segundo o Gaeco, o contador responsável pela abertura das empresas fictícias foi preso. Grupos de WhatsApp funcionavam como centrais de cobrança, onde traficantes endividados eram pressionados a repassar valores à organização.
Paralelamente, a Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos realizou outra ofensiva contra o CV, mirando o abastecimento de pontos de venda de drogas em diversas regiões de Goiânia. A ação prendeu dez suspeitos, incluindo integrantes capturados em São Pedro da Aldeia e Cabo Frio, no litoral do Rio, apontados como lideranças do grupo.
De acordo com o delegado Francisco Costa, imóveis no litoral serviam como base logística para envio de drogas e armas para Goiás. O núcleo goiano distribuía o material e também movimentava recursos ligados à facção. Parte dos investigados já havia sido monitorada em ações desencadeadas durante a megaoperação no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
As forças de segurança reforçam que o objetivo é enfraquecer a espinha dorsal financeira das facções. Segundo o promotor Marcelo Borges Amaral, prisões isoladas têm impacto limitado. “Sem cortar o fluxo de dinheiro, o crime se reorganiza rápido. Atingimos aqui o coração do esquema.”
As investigações continuam, e o MP espera identificar novos operadores a partir dos celulares e documentos apreendidos. Para as autoridades, as operações marcam mais um passo na estratégia estadual de impedir que o Comando Vermelho ganhe estrutura ou território em Goiás.