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Adolescente foge após 2 anos em cárcere

Jovem de 16 foge após encontrar escada no quintal e pedir ajuda a vizinha em ponto de ônibus; mãe, padrasto e outra mulher foram presos

Redação
Por: Redação
24/11/2025 às 16h13
Adolescente foge após 2 anos em cárcere
Foto: Reprodução

Uma adolescente de 16 anos, mantida em cárcere por aproximadamente dois anos em Goiânia, conseguiu fugir durante a madrugada após encontrar uma escada esquecida no quintal. Segundo a Polícia Civil, ela saiu da casa enquanto os suspeitos dormiam e pediu ajuda a uma vizinha por volta das 6h, em um ponto de ônibus do Setor Leste Universitário.

A jovem contou que queria telefonar para o pai, de quem estava afastada após o fim do casamento dos responsáveis. Os nomes dos presos não foram divulgados.

Como foi a fuga e o resgate

Depois de escalar o muro com a escada encontrada, a adolescente caminhou até um ponto de ônibus e abordou Albanita Aires Marques Vilas Boas, vizinha que acabava de chegar de viagem. Ela estava debilitada, muito magra e carregando uma sacola.

“Ela pediu: ‘Moça, faz uma chamada para mim’. Fiquei assustada. Perguntei para quem, e ela respondeu: ‘Meu pai’”, relatou Albanita à TV Anhanguera.

A mulher acionou o pai da adolescente, que foi imediatamente ao local. A jovem foi levada ao Hospital da Mulher (Hemu) e encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para exames que avaliam lesões e possível violência sexual.

A mãe, o padrasto e outra mulher, que formavam um trisal, foram presos na sexta-feira (21). O caso segue sob investigação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e tramita em sigilo.

Relatos de tortura e punições constantes

De acordo com a Conselheira Tutelar Aline Pinheiro Braz dos Santos, a adolescente era submetida a punições por motivos banais e vivia sob agressões frequentes.

“Ela ficava noites ajoelhada, era impedida de tomar banho, e passava até três dias sem comer. Está muito machucada”, disse Aline.

O pai da jovem contou que, após o fim do casamento, a mãe impediu o contato entre ele e a filha e sempre dizia que a adolescente “estava bem”. Ao reencontrá-la, percebeu o estado de abandono e relatou que a menina dormia no chão.

No boletim de ocorrência, a adolescente relatou agressões com cabos elétricos, madeiras, tubos de PVC e queimaduras de cigarro. Também disse que os suspeitos a faziam acreditar que ela “merecia apanhar” por ser “uma pessoa ruim”.

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