
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta sexta-feira (28), a Operação Check-up 192, que investiga fraudes em contratos de manutenção de ambulâncias do Samu em Goiânia entre 2022 e 2024. As apurações apontam suspeitas de desvios de recursos públicos, serviços superfaturados e simulações de manutenção em veículos que estavam parados.
Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos — sete na capital e dois em Aparecida de Goiânia — em endereços ligados a servidores públicos, empresas e pessoas físicas investigadas. Segundo a PF, ao menos R$ 2,4 milhões foram movimentados em contratos relacionados às ambulâncias, dentro de um pacote maior de dois contratos que somam R$ 8 milhões.
De acordo com a investigação, cerca de metade da frota estava inativa por longos períodos, mas seguia gerando despesas como lavagem, compra de peças e outros serviços de manutenção, descritos em notas fiscais como se os veículos estivessem operando normalmente.
A superintendente da CGU em Goiás, Suzana Kroehling, explicou que foram identificadas notas frias e gastos que não poderiam ter sido feitos:
“Ambulâncias paradas estavam recebendo lavagem, compra de equipamentos e outros serviços. Ou seja, havia simulação de despesas e uso indevido de recursos públicos.”
Segundo o delegado da PF André Monteiro, todos os servidores investigados são efetivos e permanecem atuando nos mesmos cargos desde a gestão anterior. A apuração também mira oficinas clandestinas que teriam superfaturado serviços e emitido notas irregulares.
A investigação começou após relatório do DenaSUS, órgão do Ministério da Saúde, que apontou irregularidades em repasses federais ligados a contratos da Saúde em Goiânia, especialmente na frota do Samu.
Os suspeitos podem responder por peculato, inserção de dados falsos em sistema público, associação criminosa e outros crimes que podem surgir ao longo do inquérito.
Em 2024, o Samu enfrentou uma de suas maiores crises em Goiânia. A frota reduzida, falta de insumos e sobrecarga das equipes levaram a uma greve em junho. Em julho, o número 192 chegou a ficar fora do ar por alguns dias, comprometendo o atendimento.
A Prefeitura de Goiânia afirmou, em nota, que os fatos investigados ocorreram na gestão anterior e declarou estar à disposição das autoridades para fornecer documentos e informações.
O ex-prefeito Rogério Cruz disse que não é investigado na operação e que as apurações tratam exclusivamente de possíveis irregularidades administrativas envolvendo servidores e empresas contratadas. Ele reforçou seu compromisso com a transparência.
Nota do ex-prefeito de Goiânia, Rogério Cruz:
Leia a íntegra da nota do ex-prefeito de Goiânia, Rogério Cruz:
"O ex-prefeito Rogério Cruz esclarece que não é investigado, nem figura entre os alvos da Operação Check-up 192, deflagrada pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal nesta sexta-feira (28).
As apurações tratam exclusivamente de eventuais irregularidades operacionais e administrativas relacionadas à manutenção da frota do SAMU, envolvendo servidores e empresas contratadas.
Tais rotinas técnicas são de responsabilidade direta das áreas específicas da Secretaria Municipal de Saúde, amparadas por processos internos e fiscalização própria.
O ex-prefeito reforça compromisso permanente com a transparência e confia no trabalho das instituições responsáveis pelas investigações".
Leia a íntegra da nota da Secretaria de Saúde de Goiânia:
"A Prefeitura de Goiânia esclarece que a Operação Check-up 192, deflagrada nesta sexta-feira (28/11), pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal (PF), apura suspeitas de irregularidades na manutenção de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) durante a gestão anterior, entre os anos de 2022 e 2024.
A atual gestão está à inteira disposição dos órgãos de controle e investigação para fornecer todas as informações e documentos necessários, contribuindo para o pleno esclarecimento dos fatos e para a responsabilização dos envolvidos.
Neste ano, toda a frota do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi substituída. O serviço conta atualmente com 22 ambulâncias em uso e informa regularmente ao Ministério da Saúde a produtividade e situação das viaturas".