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Brasil registra menor pobreza da série histórica do IBGE

Mais de 10 milhões de brasileiros deixaram a pobreza em 2024; avanço da renda dos mais pobres e programas sociais explicam a queda

Redação
Por: Redação
03/12/2025 às 15h58
Brasil registra menor pobreza da série histórica do IBGE
Foto: Reprodução / Diego Souza/UNICEF

O Brasil atingiu, em 2024, os menores índices de pobreza e extrema pobreza da série histórica iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (3), na nova edição da Síntese de Indicadores Sociais (SIS).

Segundo o levantamento, 1,9 milhão de pessoas deixaram a extrema pobreza entre 2023 e 2024, enquanto 8,6 milhões saíram da faixa de pobreza. A queda acontece em um cenário de aumento da renda média das famílias e reforço dos programas sociais.

Pobreza e extrema pobreza em queda

Entre 2023 e 2024, os indicadores apresentaram melhora expressiva:

  • Extrema pobreza: caiu de 4,4% para 3,5% da população

  • Pobreza: reduziu de 27,3% para 23,1%

  • Total que saiu da pobreza/extrema pobreza: 10,5 milhões de pessoas

A metodologia usa parâmetros do Banco Mundial, com linhas calculadas pela Paridade de Poder de Compra (PPC):

  • Pobres: renda inferior a US$ 6,94 por pessoa ao mês

  • Extremamente pobres: renda inferior a US$ 2,18 por pessoa ao mês

Renda sobe e 10% mais pobres avançam 13,2%

O rendimento domiciliar per capita chegou a R$ 2.017, o maior da série histórica.
O crescimento foi ainda mais forte entre os mais pobres:

  • Renda dos 10% mais pobres cresceu 13,2% em um ano.

Para o IBGE, a melhora se deve ao aquecimento do mercado de trabalho e à ampliação de benefícios sociais em momentos críticos.

Sem programas sociais, a extrema pobreza dispararia para 10% da população.

Desigualdade recua, mas segue alta

O Índice de Gini, que mede desigualdade, caiu de 0,517 para 0,504, o menor desde 2012.
Mesmo assim, o relatório aponta persistência de desigualdade entre grupos:

  • Crianças e adolescentes (0 a 14 anos): 39,7% vivem na pobreza

  • Pardos: 29,8%

  • Pretos: 25,8%

  • Mulheres: 24%

  • Idosos: apenas 8,3% (a maior proteção vem da Previdência)

A distribuição regional mostra contrastes:

  • Nordeste

    • 26,9% da população brasileira

    • 50,3% da extrema pobreza do país

    • 39,4% da população pobre da região

  • Norte: 35,9% abaixo da linha de pobreza

  • Sul e Centro-Oeste: menores índices, cerca de 1,5% de extrema pobreza

Emprego não garante renda suficiente

O IBGE aponta 11,9% dos trabalhadores — 12 milhões de pessoas — como “working poor”, ou seja, empregados que ainda vivem em domicílios pobres.

Entre os mais afetados:

  • Trabalhadores domésticos: 8,7%

  • Agricultores e trabalhadores rurais qualificados: 6,6%

O risco de pobreza é muito maior entre quem não trabalha:

  • Desocupados: 47,6% são pobres

  • Fora da força de trabalho: 27,8%

Resumo dos dados de 2024

  • Brasil tem menores níveis de pobreza e desigualdade desde 2012

  • Renda média sobe e impulsiona principalmente os mais pobres

  • Programas sociais continuam essenciais

  • Nordeste segue como região mais vulnerável

  • Milhões de trabalhadores permanecem com renda insuficiente

  • Crianças, mulheres e pessoas negras continuam mais expostas

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