
A inflação oficial do país, medida pelo IPCA, subiu 0,18% em novembro, o menor resultado para o mês desde 2018. No acumulado de 12 meses, o índice desacelerou para 4,46%, voltando a ficar abaixo do teto da meta de 4,5% perseguida pelo Banco Central. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O retorno do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao intervalo da meta evita que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tenha de escrever uma nova carta formal explicando o descumprimento do alvo — algo exigido quando o índice supera o limite por seis meses consecutivos.
A divulgação ocorre no mesmo dia da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2025, que decidirá sobre o patamar da Selic. A taxa básica permanece em 15% ao ano desde junho, após ciclo de alta iniciado em 2024 para conter a inflação.
Apesar do avanço mensal maior do que o de outubro (0,09%), o resultado ficou ligeiramente abaixo da mediana das projeções do mercado (0,19%). Analistas seguem divididos sobre quando começará o ciclo de cortes da Selic — entre janeiro e março de 2026.
Cinco dos nove grupos pesquisados tiveram alta em novembro, com destaque para despesas pessoais (0,77%) e habitação (0,52%), ambos impactando o índice em 0,08 ponto percentual.
Já alimentação e bebidas caíram 0,01%, e a alimentação no domicílio recuou pelo sexto mês seguido (-0,20%), puxada por reduções em tomate (-10,38%), leite longa vida (-4,98%) e arroz (-2,86%). Por outro lado, óleo de soja (2,95%) e carnes (1,05%) subiram.
A Black Friday contribuiu para a queda de artigos de residência (-1%), a maior para um novembro desde o Plano Real.
O principal foco de pressão no mês veio das passagens aéreas, que aumentaram 11,9% e responderam por 0,07 ponto percentual do IPCA. A alta foi ainda mais intensa na região metropolitana de Belém, que sediou a COP30, com tarifas subindo 25,32% e hospedagens saltando 178,93%.
Para economistas, o resultado de novembro reforça a tendência de desinflação gradual, mas mantém sinais de alerta. Serviços intensivos em mão de obra aceleraram de 0,57% para 0,61% no mês e acumulam alta de 6,69% em 12 meses — ritmo ainda acima do conforto do Banco Central.
A inflação subjacente de serviços, que exclui itens voláteis, segue em 6% no acumulado do ano, o que indica dificuldade no controle estrutural dos preços. Com a adoção da meta contínua, que monitora janelas móveis de 12 meses, o BC avalia o comportamento prolongado do índice.
Segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, a inflação de 2025 fechará dentro do teto da meta se dezembro registrar alta de até 0,56%. O boletim Focus projeta 4,40% para o acumulado anual.