
O Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou nove pessoas, entre elas uma advogada e policiais militares, por crimes de organização criminosa, agiotagem, extorsão, tortura e lavagem de dinheiro. Os denunciados são investigados na Operação Mão de Ferro, que apurou a atuação de um grupo criminoso em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal.
Segundo o MP-GO, a organização criminosa operava desde 2023 oferecendo empréstimos com juros abusivos, que variavam de 10% a 30% ao mês. Quando os devedores atrasavam os pagamentos, eram submetidos a ameaças, agressões físicas, sequestros e sessões de tortura, usadas como forma de coerção e intimidação.
De acordo com a denúncia, os integrantes do grupo utilizavam métodos extremos para forçar o pagamento das dívidas. As investigações apontam que as vítimas sofriam intenso sofrimento físico e psicológico, com episódios de agressões e ameaças armadas.
Em um dos casos citados nos autos, um sargento da Polícia Militar de Goiás aparece ameaçando um homem que é agredido com um taco de beisebol. “Você vai ver como funciona em Goiás”, diz o policial durante a ação, segundo o Ministério Público.
Para ocultar a origem ilícita do dinheiro, o grupo utilizava contas bancárias de terceiros, empresas de fachada, transferências fracionadas e sucessivas movimentações financeiras, caracterizando lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 7 milhões em cerca de dois anos.
A Operação Mão de Ferro foi deflagrada em novembro pela Polícia Civil de Goiás e cumpriu mais de 10 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão. Entre os alvos estavam o líder da organização, financiadores, executores das cobranças violentas e uma advogada apontada como responsável pela “blindagem jurídica” do esquema.
O MP-GO informou que os denunciados podem responder, entre outros crimes, por organização criminosa armada, extorsão majorada, tortura, agiotagem, lavagem de dinheiro e porte ilegal de armas, inclusive de uso restrito.