
A campanha de fim de ano da Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres, colocou a marca no centro de um debate político nas redes sociais e desencadeou um movimento de boicote liderado por figuras da direita. O estopim foi a frase do comercial em que a atriz sugere não “começar 2026 com o pé direito”, interpretação que levou opositores a classificar a peça como ideológica.
Desde domingo (21), vídeos de consumidores rasgando ou jogando fora sandálias da marca se multiplicaram, enquanto parlamentares e influenciadores conservadores passaram a incentivar a troca por produtos da concorrente Ipanema.

O movimento ganhou força após manifestações públicas de políticos e empresários alinhados à direita. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro publicou vídeo descartando um par de Havaianas e criticou a escolha de uma “garota-propaganda declaradamente de esquerda”. Outros nomes, como a deputada Bia Kicis (PL-DF) e o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), repetiram o gesto nas redes sociais.
Influenciadores também aderiram. Vídeos com destruição de produtos e críticas à campanha viralizaram, acompanhados do discurso de que a marca teria assumido uma posição política incompatível com parte do seu público.
Como resposta ao boicote, apoiadores da direita passaram a promover a marca Ipanema como alternativa. Apesar de não ter feito declarações políticas, a empresa viu seus números crescerem rapidamente nas redes sociais, com forte engajamento em publicações recentes. Comentários como “2026 só Ipanema, entrando o ano com o pé direito” se tornaram frequentes.
A própria equipe de marketing da marca aproveitou o momento e lançou um conteúdo simples nas redes, que ampliou ainda mais a visibilidade da empresa no embate simbólico criado a partir da campanha da concorrente.
A presença de Fernanda Torres no comercial também foi alvo de críticas por sua proximidade com o governo. Após vencer o Globo de Ouro em 2025, a atriz foi parabenizada publicamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, meses depois, recebeu a Ordem do Mérito Cultural.
Para opositores, esses episódios reforçariam uma leitura política da campanha. Já governistas reagiram exibindo suas próprias sandálias da marca. Parlamentares como Paulo Pimenta (PT-RS) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) criticaram o boicote e ironizaram a polarização em torno de um produto de moda.
A polêmica ocorre em contraste com o desempenho internacional da Havaianas. Em novembro de 2025, um de seus modelos liderou o ranking global de produtos mais desejados do trimestre, segundo o Lyst Index. A marca também ampliou sua presença global com celebridades internacionais, como a modelo Gigi Hadid e o cantor Jungkook.
Enquanto isso, no Brasil, a repercussão do comercial mostra como a polarização política tem extrapolado o debate institucional e alcançado até marcas de consumo cotidiano. Procuradas, a Havaianas e Fernanda Torres ainda não se manifestaram oficialmente sobre o boicote.