
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (29) que forças americanas atingiram uma área portuária na Venezuela que, segundo ele, era utilizada para o carregamento de drogas em embarcações. Caso a informação seja confirmada oficialmente, esta seria a primeira ação militar dos EUA em território venezuelano desde o início da atual escalada de tensão entre os dois países.
Trump fez a declaração ao receber o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida. Segundo o presidente americano, houve uma grande explosão na região das docas atingidas.
“Eles carregam os barcos com drogas. Atingimos todos os barcos e agora atingimos a área onde isso acontece”, afirmou Trump, sem detalhar o local exato nem a forma como a operação foi conduzida.
Na última sexta-feira (26), Trump já havia mencionado, em entrevista a uma rádio de Nova York, que os Estados Unidos destruíram “uma grande instalação” ligada ao tráfico de drogas na semana anterior. Na ocasião, autoridades americanas confirmaram que o presidente se referia a um alvo na Venezuela, mas evitaram fornecer detalhes.
Até o momento, nem o Pentágono nem a Casa Branca divulgaram informações técnicas sobre o suposto ataque. Oficiais militares afirmaram não ter dados a compartilhar, enquanto a CIA também se recusou a comentar oficialmente.
Embora Trump e integrantes do governo tenham citado a destruição de uma instalação associada ao narcotráfico, ainda não está claro qual seria o papel exato do local na logística do tráfico internacional. A Venezuela é apontada como rota estratégica para a cocaína produzida na Colômbia, mas não figura como grande produtora da droga.

A ofensiva faz parte da estratégia de pressão intensificada do governo Trump contra o regime do presidente venezuelano Nicolás Maduro, acusado pelos EUA de envolvimento com redes de narcotráfico. O presidente americano já reconheceu publicamente ter autorizado a CIA a planejar operações secretas dentro da Venezuela, incluindo ações de sabotagem e operações psicológicas.
Desde setembro, os Estados Unidos vêm realizando ataques a embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico, além de tentar interceptar navios petroleiros venezuelanos, medida que Trump descreve como um “bloqueio” econômico ao país sul-americano.
Críticos afirmam que as operações já resultaram em mais de uma centena de mortes e classificam as ações como execuções extrajudiciais. O governo americano, por sua vez, sustenta que está em conflito com grupos classificados como “narcoterroristas” e que o uso da força é necessário para combatê-los.
Até o momento, autoridades venezuelanas não confirmaram nem comentaram oficialmente as declarações de Trump sobre o suposto ataque em território do país.