
O Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta segunda-feira (5/1) para discutir a operação dos Estados Unidos em território venezuelano, que incluiu bombardeios e a captura de Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Na sessão, o Brasil criticou a ação e afirmou que ela “cruza uma linha inaceitável”, enquanto Washington sustentou que se tratou de uma operação de aplicação da lei, não de ocupação.

Falando como representante do Brasil na ONU, o embaixador Sérgio Danese afirmou ao conselho que a ofensiva representa um precedente perigoso para a comunidade internacional e ressaltou o impacto regional do episódio, citando a longa fronteira terrestre entre Brasil e Venezuela.
A Venezuela, que pediu a reunião de emergência, classificou a operação americana como uma agressão armada e descreveu a retirada de Maduro do país como “sequestro”. O embaixador venezuelano Samuel Moncada também citou mortes e destruição de infraestrutura, cobrando uma condenação internacional à ação.

Do lado americano, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, defendeu que Washington não está “ocupando” a Venezuela e descreveu a ação como uma operação policial “cirúrgica”, com apoio militar, para prender dois alvos procurados pela Justiça americana. Segundo ele, Maduro seria o líder de uma organização criminosa ligada ao narcotráfico.
Na abertura da sessão, o secretário-geral da ONU, António Guterres, demonstrou preocupação com o risco de escalada e com o precedente diplomático que o caso pode estabelecer. Em mensagem transmitida por sua equipe, ele destacou os impactos potenciais sobre a estabilidade da Venezuela e sobre a região, e reforçou a necessidade de respeito aos princípios da Carta da ONU.
Com Maduro e Cilia Flores já sob custódia nos Estados Unidos e apresentados à Justiça americana, a reunião no Conselho de Segurança ampliou a pressão política e jurídica sobre a operação de Washington. O debate expôs uma divisão entre críticas à violação de soberania e a tese dos EUA de “aplicação da lei”, em um caso que tende a seguir como foco de tensão diplomática nos próximos dias.