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Protestos pró e contra ação dos EUA na Venezuela tomam ruas

Atos pró-regime reúnem policiais e grupos paramilitares enquanto oposição teme represálias

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
05/01/2026 às 15h24
Protestos pró e contra ação dos EUA na Venezuela tomam ruas
Foto: Reprodução

Apoiadores do regime de Nicolás Maduro ocuparam ruas de Caracas e de outras cidades da Venezuela após a captura do ex-presidente e da primeira-dama Cilia Flores por forças dos Estados Unidos, no sábado (3). As manifestações exigem a libertação de Maduro e rejeitam qualquer negociação com Washington.

Segundo o jornal Financial Times, os atos contam com a participação de policiais e de grupos paramilitares alinhados ao chavismo, conhecidos como “colectivos”. Próximo ao Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano, telões exibiam mensagens de apoio ao ex-presidente e palavras de ordem pediam sua devolução ao poder.

Manifestantes também defendem o rompimento de relações energéticas com os Estados Unidos enquanto Maduro permanecer preso. Cartazes exibidos nos protestos afirmam que nenhuma exportação de petróleo deveria ocorrer até que ele seja libertado. A rede estatal Telesur informou que as mobilizações ocorrem desde o fim de semana e refletem rejeição à operação militar americana, classificada pelos participantes como uma violação da soberania nacional.

Manifestantes na Av. Paulista / Foto: Reprodução
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Ativistas pró-regime acusam Washington de manter uma política prolongada de hostilidade contra a Venezuela, citando operações militares, apreensão de carregamentos de petróleo e bloqueios navais. Para eles, essas ações violam princípios do direito internacional e da Carta da ONU, argumento recorrente do chavismo desde o aumento das tensões com os EUA no ano passado.

Enquanto isso, setores contrários ao regime demonstram cautela. Moradores de Caracas relataram medo de represálias e clima de tensão após os bombardeios. Houve corridas a supermercados e postos de combustível, diante do receio de desabastecimento, embora parte da população tente retomar a rotina.

No domingo, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, pediu que a população retomasse as atividades e evitasse o que chamou de “guerra psicológica”. O poder político, porém, permanece concentrado na vice-presidente Delcy Rodríguez, que recebeu apoio das Forças Armadas para manter o controle do governo.

A continuidade dos protestos pró-Maduro e o temor de retaliações indicam que a crise política venezuelana entrou em uma nova fase de instabilidade. Com o ex-presidente preso nos Estados Unidos e o chavismo ainda no comando em Caracas, o país segue dividido entre mobilizações de apoio ao regime e a expectativa de uma transição política incerta.

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