
Agentes de segurança da Venezuela derrubaram a tiros drones que se aproximaram do Palácio de Miraflores, sede do Executivo venezuelano, em Caracas, na noite desta segunda-feira (5). A informação foi confirmada por testemunhas e por integrantes do regime ouvidos pela Agence France-Presse (AFP).
Segundo um funcionário do governo, os disparos tiveram apenas objetivo de dissuasão e não houve registro de novos incidentes após a ação. Na manhã desta terça-feira (6), a rotina na capital venezuelana transcorreu normalmente, de acordo com relatos locais.
Moradores das imediações do palácio presidencial relataram ter ouvido sons semelhantes a explosões em sequência. Uma pessoa que vive a cerca de cinco quarteirões do local afirmou à Agence France-Presse (AFP) que os disparos duraram aproximadamente um minuto.
“Primeiro pensei que fossem aviões sobrevoando a região, mas não era isso. Vi apenas duas luzes vermelhas no céu”, disse a testemunha, que pediu para não ser identificada.
As autoridades venezuelanas não informaram a origem dos drones nem se houve identificação de responsáveis pelo episódio.
A ocorrência acontece dois dias depois da operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro, em uma ação inédita em solo venezuelano. A ofensiva envolveu cerca de 200 soldados americanos que entraram em Caracas e enfrentaram resistência mínima durante a operação.
De acordo com informações divulgadas anteriormente, ao menos 40 pessoas morreram durante a ação, entre guarda-costas cubanos ligados a Maduro, militares venezuelanos e civis. Nenhum soldado americano foi morto.
A rapidez da operação levantou suspeitas sobre a existência de um acordo prévio entre setores do regime e Washington para viabilizar a retirada de Maduro do poder — hipótese negada publicamente pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

No mesmo dia do incidente com os drones, Delcy Rodríguez, vice de Maduro, foi empossada como presidente interina da Venezuela em cerimônia realizada na Assembleia Nacional. A posse ocorreu em meio a um cenário de forte instabilidade política, pressão internacional e incertezas sobre os próximos passos do país.
Até o momento, o governo interino não divulgou novas medidas de segurança após o episódio no Palácio de Miraflores, nem comentou oficialmente se o caso será tratado como ameaça externa ou incidente isolado.