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O que pode acontecer na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro

Estados Unidos admitem ampliar pressão política, econômica e até militar enquanto cenário interno segue indefinido

Por: Lavínia Dornellas
06/01/2026 às 16h31
O que pode acontecer na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro
Foto: Reprodução

A Venezuela vive um cenário de profunda instabilidade após a captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças americanas em Caracas. Mesmo dias depois da operação, não há clareza sobre o futuro político do país, que permanece sob tensão interna e externa.

Na segunda-feira (6), Maduro e Flores se declararam inocentes das acusações de tráfico de drogas e porte ilegal de armas durante a primeira audiência em Nova York. Na sessão, o ex-ditador afirmou que ainda se considera presidente do país. A próxima audiência foi marcada para 17 de março, e a defesa não solicitou liberdade provisória.

Enquanto isso, em Caracas, a vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina, decisão validada pelo Supremo venezuelano — órgão controlado pelo chavismo. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou repetidamente que “está no comando” da situação e não descartou uma intervenção militar mais ampla caso o novo governo não coopere.

Qual é a posição dos Estados Unidos

A Casa Branca tem tratado a situação como uma operação em curso. O chefe de gabinete adjunto, Stephen Miller, classificou a atuação americana como uma “operação militar em andamento”, apesar de o governo sustentar oficialmente que a captura de Maduro foi uma ação policial.

Segundo autoridades americanas, os EUA utilizam o controle econômico e o bloqueio comercial como instrumentos de pressão para forçar mudanças no regime venezuelano. Washington também avalia apresentar novas acusações contra integrantes do antigo governo chavista.

Existe um plano claro para a Venezuela?

Integrantes do Congresso americano admitem que ainda não há um cronograma definido. O líder da maioria no Senado, John Thune, afirmou que respostas mais concretas podem surgir “nos próximos dias”, enquanto outros parlamentares demonstram ceticismo sobre a existência de um plano estruturado para a transição política do país.

Trump, por sua vez, tem reiterado que a prioridade é “consertar o país” antes de qualquer eleição, descartando a realização de um novo pleito no prazo de 30 dias previsto pela Constituição venezuelana em casos de “ausência absoluta” do presidente.

Disputa jurídica sobre eleições

A Constituição da Venezuela prevê dois cenários:

  • Ausência absoluta (morte, impeachment ou incapacidade): novas eleições em até 30 dias;

  • Ausência temporária: o vice assume por 90 dias, prorrogáveis por mais 90, com eleições ao fim de até seis meses.

O Supremo venezuelano classificou a captura de Maduro como “ausência temporária”, legitimando a posse de Delcy Rodríguez. A oposição, porém, questiona essa interpretação e busca apoio internacional para pressionar por eleições em até seis meses.

O papel da oposição e de María Corina Machado

A líder oposicionista María Corina Machado afirmou que pretende retornar ao país, mas segue em local desconhecido na Europa após deixar a Venezuela. Apesar de ter sido impedida de concorrer nas eleições, ela é vista por parte da população como símbolo da oposição ao chavismo.

Trump e membros de seu governo rejeitaram a ideia de colocá-la diretamente no comando do país, alegando falta de legitimidade institucional —posição que gerou desconforto entre opositores venezuelanos.

Petróleo e bloqueio econômico

A questão energética é central. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, deve se reunir com executivos do setor para discutir a reconstrução da infraestrutura petrolífera venezuelana. Trump afirmou que o processo poderia levar menos de 18 meses, avaliação considerada otimista por especialistas.

Washington também planeja interceptar petroleiros ligados ao regime venezuelano, inclusive embarcações sobre as quais a Rússia reivindica jurisdição, como parte do bloqueio econômico imposto ao país.

Pressão por libertação de presos políticos

Enquanto o núcleo duro do chavismo permanece no poder, cresce a pressão pela libertação de mais de 860 presos políticos. Organizações de direitos humanos afirmam que uma anistia ampla seria o principal sinal concreto de mudança no país.

Entre os detidos estão líderes políticos, ativistas, militares dissidentes e familiares de opositores. Para a ONG Foro Penal, a situação atual ainda não representa ruptura real com o sistema repressivo anterior.

Cenário indefinido

Apesar da captura de Maduro, a estrutura do regime segue praticamente intacta. Ministros, chefes militares e órgãos de repressão continuam operando, o que alimenta temores sobre represálias internas e dificulta qualquer transição democrática imediata.

O desfecho dependerá da pressão internacional, da postura dos EUA e da capacidade da oposição de articular uma saída institucional dentro de um cenário jurídico e político altamente instável.

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